Há quase mais 14 mil inscritos no superior este ano. Alunos estrangeiros aumentaram 15%

Os politécnicos foram as instituições que mais aumentaram o seu número de inscritos nos últimos cinco anos, relativamente às universidades. Mas o número de alunos estrangeiros continua aquém da meta do governo. A tutela teme um decréscimo, fruto da pandemia.

Este ano letivo, há mais 13 578 alunos inscritos nas universidades e politécnicos do país face ao ano anterior. O que representa um aumento de 4%, totalizando-se agora 384 391 estudantes no ensino superior português. Desde o início da legislatura, no ano letivo de 2015/2016, são mais 11%. São dados divulgados esta quinta-feira pela Direção-Geral de Estatísticas de Educação e Ciência, através da publicação do Registo de Alunos Inscritos e Diplomados do Ensino Superior (RAIDES).

O grande número destes alunos está inscrito nas universidades (244 399), mas é nos institutos politécnicos (atualmente com 139 992) que se regista o maior crescimento de inscritos em cinco anos - mais 19 677. Nas universidades, este crescimento traduziu-se em mais 18 367 alunos.

Uma tendência que se verifica também entre os dados comparados entre este ano letivo e o anterior, em que o crescimento foi de 5% no ensino politécnico e de 3% no ensino universitário. É ainda no setor público que mais se concentra a totalidade destes alunos (80%).

"Poderemos ter mais pessoas a terminar o 12.º ano, mas depois menos alunos a entrar no ensino superior"

No entanto, o governo teme que estas estatísticas entrem em sentido decrescente no próximo ano letivo, que deve iniciar em setembro, devido à flexibilização aplicada na inscrição para exames nacionais finais do secundário. Uma medida criada no contexto das mudanças curriculares nos estabelecimentos de ensino, fruto da contenção da covid-19, e que prevê que os alunos apenas façam as provas às disciplinas que necessitarem para concorrer aos seus cursos.

"Poderemos ter mais pessoas a terminar o 12.º ano, mas depois menos alunos a entrar no ensino superior", alertou esta quarta-feira o secretário de estado da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (SECTES), João Sobrinho Teixeira, numa entrevista à Fórum Estudante, transmitida em direto na página de Facebook da revista, na quarta-feira. O secretário de Estado lembrou que é preciso estar precavido para o caso de não conseguirem entrar no curso com que sonham: "Os alunos têm de pensar num leque para ter uma abrangência de candidatura, porque algo pode correr mal e depois ficam sem a prova de ingresso".

Mais 15% estrangeiros e 34% em mobilidade

O documento RAIDES não mostra só um aumento do número de estudantes nacionais, mas principalmente de estudantes estrangeiros. Do ano passado para o atual, estes inscritos aumentaram 15%, sendo agora 58 350 (antes 50 721). Mas o governo está ainda longe de cumprir a metade de dobrar o número de estrangeiros até 2023.

Destes, 5296 inscreveram-se nas instituições de ensino superior nacionais pela primeira vez este ano letivo de 2019/20. Um número que representa um aumento de 34% face ao ano anterior.

O gráfico seguinte mostra de onde chegam os alunos com este estatuto em Portugal, de acordo com os dados de 2017/2018.

Quanto aos estudantes em regime de mobilidade (como Erasmus), o documento mostra também uma subida de 24% no primeiro semestre, comparativamente ao mesmo período do ano transato. São agora 41 978, mais 131% do que eram em 2015/16 (com 12 120 inscritos neste regime).

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