Há 13 mil novos casos de cancro de pele por ano em Portugal

A Associação Portuguesa de Cancro de Pele organiza este sábado uma formação intensiva para profissionais. Apesar de ser um dos que apresenta uma taxa de cura de quase 100%, quando descoberto precocemente, o cancro de pele e cutâneo tem ainda dados preocupantes: há 13 mil novos casos por ano.

"A chave para conseguirmos diminuir o cancro de pele é a prevenção e o diagnóstico precoce". O presidente da Associação Portuguesa de Cancro de Pele (APCC), Osvaldo Correia, não vê outra forma de reduzir o número de cancros de pele e cutâneos. Apesar de ser um dos tipos de cancro com maior taxa cura (quando detetado numa fase inicial), mantém-se ainda com níveis de mortalidade muito elevados.

Este ano, a APCC estima que "vão aparecer 13 mil novos casos de cancro de pele em Portugal" e desses, "mais de 1000 são de melanoma, que ainda tem uma mortalidade na casa dos 15%", tal como disse ao DN o presidente. Ainda assim, Osvaldo Correia sublinha que "quando o cancro é detetado numa fase inicial, a cura chega aos 99,5% dos casos".

É por isso que a associação insiste em realizar todos os anos ações de formação dirigidas especialmente a profissionais de saúde - mas também ao público em geral, em que é feita uma atualização "de tudo o que diz respeito ao cancro de pele e ao cancro cutâneo". Há 18 anos que a APCC se empenha nessa atividade anual, tendo já ministrado formação a mais de 13 mil pessoas. A próxima acontece este sábado, 29 de fevereiro, na Universidade Católica de Lisboa , subordinada ao tema "Sol e Pele, Saber Conviver; Sol, Pele e Cancro Cutâneo em 2020".

A iniciativa contará com a presença do secretário de Estado da Saúde, António Sales, do bastonário da Ordem dos Médicos, Miguel Guimarães; da Diretora Geral da Saúde, Graça Freitas, e ainda de personalidades várias que, ao longo dos anos, têm colaborado com a APCC nessa demanda de informar, esclarecer e prevenir. Francisco George, António Correia de Campos, António Couto dos Santos, bem como os desportistas Rosa Mota, Paulo Guerra, o animador Jorge Gabriel, o arquiteto Sidónio Pardal juntam-se ao leque de personalidades presentes, num evento organizado em parceria com a Sociedade Portugesa de Dermatologia e Venereologia.

A sessão deste sábado (29 de fevereiro) servirá também para celebrar um protocolo com as Federações Desportivas de Canoagem, Remo e Surf, enfatizando a promoção e sensibilização de Desporto com Proteção.

Em declarações ao DN, o professor Osvaldo Correia classifica a iniciativa como "de importância relevante em termos de Saúde Pública, dada a frequência, o aumento crescente e os custos inerentes aos tratamentos dos Cancros da Pele". "Urge mesmo informar e sensibilizar os diferentes profissionais e a população em geral", acrescenta o responsável.

Proteger-se dos raios ultravioleta e aprender com a própria sombra

Nos últimos tempos também o Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA) tem colaborado com a APCC, disponibilizando não apenas a temperatura na página da internet, como também a sua relação com os raios ultravioleta. "Por vezes está uma temperatura mais baixa, no Porto, por exemplo, e uma mais alta em Lisboa ou Faro, mas os raios ultravioleta podem ser os mesmos. E a exposição prolongada é um fator de risco que deve ser levado muito a sério", afirma Osvaldo Correia. O professor aproveita para lembrar "uma regra de ouro, que é a sombra. Nesta altura do ano em que estamos, a chegar à primavera, ainda podemos considerar que até às 11 ou 12 horas não é tão nociva a exposição ao sol, seja em caminhadas ou noutras atividades. Mas a partir de maio, podemos medir a perigosidade de outra forma: a melhor hora é aquela em que a nossa sombra é maior que nós próprios".

O especialista em dermatologia alerta ainda para os períodos de férias relâmpago, ao longo do ano, como estas que ainda agora aconteceram no período de carnaval. "A pele memoriza esses choques térmicos e induz envelhecimento", realça o médico, apelando também à prevenção e proteção nessas ocasiões, mesmo sem muito calor.

Os solários são perigosos?

Uma das tónicas em que a APCC tem insistido é na utilização de solários. Osvaldo Correia lembra que "em Portugal existe legislação, mas é difícil aplicá-la. Seria necessária uma mão mais firme, nomeadamente por parte do Ministério da Saúde. Isto porque, mesmo utilizados esporadicamente, aumentam o risco em todas as camadas da pele". "O facto de a pele não ficar vermelha envelhece precocemente a pele", sublinha o presidente da APCC, apontando o dedo à "radiação nociva".

Na verdade, tudo se resume a "saber conviver com o sol". E por isso, numa altura em que comemora 35 anos de existência, a APCC apela à participação no seminário deste sábado. Os programas estão disponíveis nesta página. A inscrição é gratuita mas obrigatória. Destaque ainda para uma nova edição do livro educativo "Brinca e aprende com o Zé Pintas: Sol, Pele, Cuidados a ter" que inclui orientações atuais sobre proteção solar adequada, Ultravioletas e como efetuar o autoexame.

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