Fugitivos apanhados tinham 40 mil euros em notas de 500

Fotografias divulgadas dos três indivíduos foram "fundamentais" para a captura, disse a PSP em conferência de imprensa. Namorada de um deles terá ajudado à operação

Quando foram detidos, por volta das 17.30 desta sexta-feira, junto ao parque de campismo de Medas (Gondomar), os três indivíduos que na véspera tinham escapado do Tribunal e Instrução Criminal do Porto tinham já em sua posse "40 mil euros, em notas de 500".

A informação foi avançada esta noite, em conferência de imprensa, pela Polícia de Segurança Pública, para quem esse facto indicia que os três homens estavam a preparar-se para fugir do País.

De acordo com Alexandre Coimbra, diretor de relações públicas da PSP, as imagens dos três evadidos difundidas desde quinta-feira à noite pela comunicação social "foram fundamentais" para a captura dos arguidos, a quem tinha sido decretada prisão preventiva por um juiz de instrução do TIC do Porto antes da fuga que protagonizaram.

"Essa divulgação levou a que muitos cidadãos nos fornecessem um grande números de pistas e informações válidas" para o sucesso desta operação, na qual participaram uma equipa da divisão de investigação criminal da PSP e uma força destacada da unidade especial da polícia.

Segundo avança o jornal Público, a namorada de um dos três homens em fuga - a mesma que os terá ajudado a fugir na véspera, roubando as chaves da cela - foi quem disse à polícia o local onde eles se escondiam. Grávida, a mulher estaria preocupada com o que poderia acontecer ao pai da criança durante a operação policial, depois de a polícia ter difundido as imagens dos fugitivos e alertado a população, em comunicado, para o facto de eles serem "perigosos" e estarem "eventualmente armados".

De acordo com a PSP, esta operação mobilizou "várias dezenas" de agentes, mas os arguidos "não tinham armamento na sua posse" quando foram detidos no parque de campismo em Gondomar. "Conseguimos restabelecer assim a segurança na área do Grande Porto, que era a nossa prioridade nesta operação", acrescentou Alexandre Coimbra, em conferência realizada na sede da Direção Nacional da PSP, em Lisboa.

Inquérito interno para apurar responsabilidades

O diretor de relações públicas da PSP disse ainda que neste momento está a decorrer "um inquérito interno para apurar responsabilidades" sobre a fuga que os três elementos encetaram nas instalações do TIC, de onde saltaram de um segundo andar para a rua, depois de lhes ter sido decretada a prisão preventiva, na quinta-feira.

Os arguidos, que já foram entretanto levados para o estabelecimento prisional de Custóias, são dois irmãos gémeos de 35 anos - Manuel e Fernando Santos -, mais um cúmplice, na casa dos 20, todos com antecedentes criminais, que tinham sido presentes ao juiz de instrução depois de terem sido detidos em flagrante delito na terça-feira em Baguim do Monte, concelho de Gondomar.

São-lhes imputados pelo menos 30 assaltos violentos, que terão rendido meio milhão de euros em dinheiro e bens, em residências de idosos na zona mais oriental do Porto e em concelhos periféricos, como Gondomar, Valongo ou Maia. Os alvos do grupo eram pessoas com idades entre os 65 e os 95 anos.

Agora, serão julgados também por evasão.

Ordem dos Advogados quer esclarecimentos

Na sequência do alarme público causado pela fuga destes três indivíduos, o presidente do Conselho Regional de Lisboa da Ordem dos Advogados, António Jaime Martins, solicitou esclarecimentos urgentes aos responsáveis das entidades competentes diretamente envolvidas.

Os esclarecimentos pedidos visam clarificar sobre "as falhas que permitiram a ocorrência desta fuga", "as medidas adotadas para apuramento integral de responsabilidades" e "as medidas adotadas para evitar que situações similares ocorram".

"A fuga ocorrida nas instalações do TIC do Porto constitui uma falha de segurança de extrema gravidade e, consequentemente, deverá ser assegurado o apuramento integral de responsabilidades", sublinha a nota de imprensa enviada.

A missiva de António Jaime Martins foi dirigida, com carácter de urgência, ao Diretor-Geral da Direção Geral de Reinserção e Serviços Prisionais, ao Procurador da República e ao Diretor-Geral da Direção Geral da Administração da Justiça, com conhecimento dado ao gabinete da Ministra da Justiça e da Secretária de Estado Adjunta e da Justiça.

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