Direção Regional de Economia alertava para "arrastamento da estrada" em 2014

Não foram apenas os empresários das pedreiras a falar no risco do troço da antiga EN255 que cedeu. Há oito anos, também a Direção Regional de Economia alertava para a instabilidade da via. E já se utilizava a palavra "colapso"

O perigo de desabamento do troço da antiga estrada nacional 255 que ruiu esta semana em Borba era conhecido pela Direção Regional de Economia (DRE) do Alentejo há quatro anos. Um memorando deste organismo do Estado, datado de 30 junho de 2014, dizia preto no branco que havia risco de "deslizamento de camadas" de solo e previa mesmo a possibilidade do seu "colapso".

O documento, noticiado esta sexta-feira à noite pelo Observador, é assinado pela chefe de Divisão dos Recursos Geológicos da DRE do Alentejo, Maria João Figueira. Foi elaborado após uma já noticiada reunião entre a Câmara Municipal de Borba, quatro empresários das pedreiras e a DRE.

Neste texto, pode ler-se: "Desde há vários anos tem esta Direção Regional da Economia vindo a constatar a falta de segurança existente no troço de estrada que liga Borba a Vila Viçosa (...) cujo colapso colocará em perigo, quer a segurança dos trabalhadores das pedreiras quer a circulação de ligeiros e pesados que se verifica nessa estrada".

Mais à frente no documento de seis páginas revelado pelo Observador a DRE descreve a "existência de fracturação planar, paralela ao talude, a qual cria instabilidade, existindo o risco de deslizamento e queda parcial do talude acima dos 50 metros de profundidade. Neste deslizamento das camadas poderá haver arrastamento de parte da estrada EM 255".

Esta sexta-feira, no assinalar de três anos de governação, o primeiro-ministo afirmou não existirem "evidências de responsabilidade do Estado" no caso, afirmando que este e autarquias "são pessoas coleticas distintas".

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