Crise nos combustíveis. "Governo tem que conseguir tréguas. Pode haver tumultos"

O presidente do Observatório de Segurança alerta para o risco de "descontentamento generalizado da população" e aconselha o governo a usar "toda a sua influência" para a greve dos camionistas ser suspensa

António Nunes acredita que a presente crise no abastecimento de combustíveis representa "um risco para a segurança interna do ponto de vista da tranquilidade pública". Alerta para o perigo de haver tumultos e apela ao governo para que consiga tréguas da parte dos grevistas.

O presidente do Observatório de Segurança, Criminalidade Organizada e Terrorismo (OSCOT) receia que se a situação não voltar rapidamente à normalidade possa haver, por um lado, "tendência para tumultos localizados por parte de grevistas contra quem está a ocupar os seus postos de trabalho" e, por outro lado, "manifestações de descontentamento generalizado por parte da população, tendo em conta a época festiva".

A altura do ano escolhida pelos camionistas é um dos grandes motivos do pânico gerado entre a população. Com a sexta-feira Santa e o domingo de Páscoa à porta, muitas pessoas tiraram férias de modo a terem um fim de semana prolongado e deslocarem-se a outros pontos do país.

Este responsável, que já presidiu à Proteção Civil e foi o Inspetor-Geral da ASAE, considera que o governo "deve mover toda a sua esfera de influência para conseguir tréguas dos grevistas. Como? Que consiga que a greve seja suspensa e feita uma negociação".

António Nunes recorda que "noutros países este género de crises de abastecimento de combustíveis têm provocado problemas muito graves".

Esta tarde, estão reunidos os diretores e comandantes de todas as forças e serviços de segurança, num encontro convocado de emergência pela secretária-geral do Sistema de Segurança Interna (SSI), para analisar a crise desencadeada pela greve dos motoristas de transporte de matérias perigosas.

Situação de alerta o que é?

O Governo decretou a Situação de Alerta e de Crise Energética entre terça-feira e domingo alegando que os motoristas em greve não cumpriram a requisição civil imposta.

A Situação de Alerta pressupõe o reconhecimento de uma crise energética, "que acautele de imediato níveis mínimos nos postos de abastecimento, de forma a garantir o abastecimento de serviços essenciais, designadamente para forças e serviços de segurança, assim como emergência médica, proteção e socorro", indicou o Ministério da Administração Interna em comunicado.

Foram acionadas as estruturas de coordenação institucional das forças e serviços de segurança, bem como das estruturas da Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil e um elevado grau de prontidão e resposta operacional por parte das forças e serviços de segurança e de todos os agentes de proteção civil.

Está ainda previsto um reforço de meios para operações de patrulhamento e escolta que permitam garantir a concretização das operações de abastecimento de combustíveis, bem como a respetiva segurança de pessoas e bens.

A Declaração de Situação de alerta implica que os trabalhadores dos setores público e privado, que tenham carta de condução de veículos pesados com averbamento de todas as classes de transportes de mercadorias perigosas (ADR), nomeadamente bombeiros voluntários e outros agentes de proteção civil habilitados à condução de veículos pesados, possam ser chamados. Também as empresas e os trabalhadores dos setores público e privado que estejam habilitados a apoiar as operações de abastecimento de combustíveis podem ser chamadas.

Os serviços mínimos abrangem também 40% das operações normais de abastecimento de combustíveis aos postos da Grande Lisboa e Grande Porto, segundo o despacho publicado em Diário da República.

Estão igualmente abrangidas 30% das operações no transporte de granel, brancos e gás embalado, assim como o transporte de cargas necessárias nas refinarias e parques, na CLT e na CLC (Companhia Logística de Combustíveis), "nos casos em que a acumulação de 'stocks' de produtos refinados

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