Novo recorde de infetados. 6994 novos casos em 24 horas

No dia em que especialistas defendem uma redução de contactos superior a 60% e alertam para o pico de mortes na segunda semana de dezembro, o país totaliza 243009 casos positivos do novo coronavírus e 3701 óbitos.

Na véspera da aprovação parlamentar de mais um período de estado de emergência, foram contabilizados mais 6994 casos de covid-19, um recorde absoluto em 24 horas, e 69 óbitos, informou a Direção Geral da Saúde através do boletim epidemiológico.

O anterior recorde de casos, 6887, foi registado no dia 13. No dia 4 de novembro contabilizaram-se 7497 casos positivos, mas foram adicionados casos do dia anterior que foram reportados tardiamente.

Portugal regista agora um total de 3701 mortes de covid-19. O país tem agora 81384 casos ativos, mais 2703 do que na véspera, num total de 243009 infetados desde março. O número de recuperados ascende a 157924, mais 4222 do que no dia anterior.

O número de pessoas em internamento hospitalar baixou: há agora 3017, menos 34 do que na véspera. Em sentido oposto há um recorde de 458 doentes em unidades de cuidados intensivos, mais 26 que na véspera.

O Norte continua a ser a região com mais incidência de casos e de mortes. Tem agora mais 4415 casos e 29 óbitos, totalizando 124572 casos e 1726 mortes.

Lisboa e Vale do Tejo registou novas 1542 transmissões e mais 24 óbitos, contabilizando agora 84800 casos e 1363 mortes. A região Centro registou 724 casos e 12 mortes, atingindo 22921 infeções e 466 vítimas mortais. O Alentejo teve mais 145 casos e 1 morte, num total de 4825 casos e 89 óbitos.

O Algarve tem mais 102 pessoas com covid-19 e 3 mortes, perfazendo no total 4459 casos e 40 óbitos.

Nas regiões autónomas, há a registar mais 40 casos nos Açores, num total de 684, e 26 na Madeira, em 748.

Novas medidas no sábado

Depois de ter ouvido hoje especialistas, o Presidente da República confirmou o que já se esperava: a renovação do estado de emergência, com as medidas ajustadas às diferentes situações no território nacional. "Estamos perante um desafio que não termina nos próximos 15 dias. Continua nas semanas e meses seguintes. Significa isto uma predisposição para outras renovações, aquelas que foram necessárias", disse Marcelo Rebelo de Sousa.

O diploma da renovação do estado de emergência irá ser votado amanhã na Assembleia da República. O governo irá decidir as medidas e anunciá-las no sábado.

Na reunião sobre a situação epidemiológica em Portugal, o epidemiologista Manuel Carmo Gomes prevê um pico de mortes no próximo mês: "Estamos a prever que na segunda semana de dezembro tenhamos o pico de óbitos por dia, com 95 a 100 óbitos por dia." Na segunda-feira foi registado o maior número de mortes por covid, 91.

A reunião de políticos, especialistas e parceiros sociais realizou-se na sede do Infarmed, em Lisboa. Em análise estiveram assuntos como a prorrogação do estado de emergência, um balanço das medidas tomadas até agora e a tendência da evolução da covid-19 no país.

O epidemiologista Baltazar Nunes, do Instituto Ricardo Jorge, realçou que "só com uma redução de contactos superior a 60% e uma elevada cobertura do uso de máscaras é que é possível trazer o R [o índice de transmissibilidade] abaixo de 1", ou seja, o nível a partir do qual os números da pandemia começam a descer.

Segundo os números apresentados por Baltazar Nunes, a redução na atividade de lazer está atualmente na ordem dos 30% em distritos como Lisboa e Porto. Longe dos valores que se registaram na primeira fase da pandemia, em março e abril, quando houve um confinamento quase total e a quebra registada nas atividades de lazer e retalho (compras) ficou acima dos 70%.

"Quanto maior é a mobilidade do trabalho, maior é a mobilidade do retalho e lazer. E quanto menor for a mobilidade, menor é o R", afirmou, durante a reunião no Infarmed.

Já o médico especialista em medicina interna e intensiva João Gouveia alertou para a gravidade da corrente taxa de ocupação (84%) nas unidades de cuidados intensivos. "Estamos muito preocupados. Estamos no risco de não conseguir receber todos os doentes com covid-19. Estou convencido que vai haver uma terceira e quarta ondas. Ainda não estamos em situação de catástrofe, mas estamos em situação de rutura em muitos sítios", afirmou.

Lisboa Norte sem atividades não urgentes

O Hospital de Santa Maria, o maior do país, e o Hospital Pulido Valente, suspenderam todas as atividades não urgentes e não prioritárias que envolvam internamentos, nomeadamente atividade cirúrgica, para fazer face ao aumento de casos de covid-19.

Desde o fim da tarde desta quarta-feira que as atividades estão paradas no Centro Hospitalar de Lisboa Norte, ou seja, nos hospitais Santa Maria e Pulido Valente, avançou a rádio TSF.

A administração do Centro Hospitalar de Lisboa Norte informa que "deverá manter-se a atividade de ambulatório, incluindo cirurgia de ambulatório, consultas e hospitais de dia".

OMS aconselha escolas abertas, Nova Iorque fecha-as

A Organização Mundial de Saúde defendeu esta quinta-feira a necessidade de manter as escolas abertas durante a pandemia e considerou que podem evitar-se os confinamentos se forem aumentadas as medidas de proteção.

"Devemos assegurar o ensino aos nossos filhos", afirmou o diretor da OMS para a Europa, Hans Kluge, sublinhando que as crianças e adolescentes não são impulsionadores principais do contágio e que o fecho de escolas não é eficiente.

Não é esse o entendimento das autoridades da cidade de Nova Iorque, EUA. Tendo em conta o aumento do número de transmissões da doença, o mayor Bill de Blasio deu ordens para que todos os estudantes (1,1 milhões) das escolas públicas prossigam as aulas a partir de casa.

No mesmo dia em que o número de mortos nos Estados Unidos ultrapassou a marca de 250 mil, o governador do Kentucky, Andy Beshear, determinou o encerramento de todas as escolas de 23 de novembro até 4 de janeiro, com exceção das primárias em áreas pouco afetadas, que podem reabrir dia 7 de dezembro.

Vacina segura nos mais velhos

A vacina que está a ser desenvolvida pela universidade de Oxford mostra ser segura e provoca uma resposta imunitária em pessoas mais idosas, segundo um estudo divulgado esta quinta-feira pela revista científica Lancet.

De acordo com os resultados preliminares da segunda fase de testes clínicos publicados esta quinta-feira, "a vacina britânica contra o SARS-CoV-2 mostra resultados de segurança e imunidade em adultos saudáveis com 56 anos ou mais semelhantes aos demonstrados em pessoas com idades entre os 18 e os 55 anos".

O estudo incluiu 560 pessoas saudáveis, 240 das quais com mais de 70 anos e os resultados indicam que a vacina de Oxford "é mais bem tolerada em pessoas mais velhas comparada com adultos jovens" e produz uma resposta imunitária semelhante em todas as classes etárias.

Numa semana marcada pelo anúncio de progressos substanciais no desenvolvimento de vacinas, a China informou hoje que já testou quase um milhão de pessoas com uma das vacinas em desenvolvimento naquele país. Segundo Liu Jingzhen, presidente da farmacêutica estatal Sinopharm, até à data não se registaram "efeitos adversos significativos", disse.

Médicos Sem Fronteiras apelam ao fim de monopólios

A organização não governamental Médicos Sem Fronteiras (MSF) juntou a sua voz à de 99 países na exigência da suspensão de monopólios relativos a vacinas, medicamentos e meios de diagnóstico relacionados com a covid-19 até que seja atingida a imunidade de grupo.

A Organização Mundial do Comércio vai reunir-se nesta sexta-feira e analisar em sessão informal uma proposta remetida em outubro pela Índia e África do Sul nesse sentido. A União Europeia, Estados Unidos, Reino Unido, Japão, Canadá, Austrália, entre outros países desenvolvidos, não mostraram apoio à medida que a MSF compara à que foi tomada em 2001, quando a comunidade internacional concordou em suspender as patentes e outros direitos de propriedade intelectual relativos a tratamentos de VIH/sida.

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