Coronavírus: Mais de 700 mortos e mais de 20 mil casos em Portugal

O país tem agora, no total, 20 206 casos confirmados de infeção com o novo coronavírus (mais 521 do que ontem) e 714 vítimas mortais (mais 27), segundo o boletim da DGS deste domingo.

Nas últimas 24 horas, foram confirmados mais 521 casos de covid-19 e morreram mais 27 pessoas em Portugal, que ultrapassa a barreira dos 20 mil casos e dos 700 mortos.

Segundo o boletim epidemiológico da Direção-Geral da Saúde (DGS), deste domingo (19 de abril), há agora no país 20 206 infetados, 714 vítimas mortais e 610 recuperados (os mesmos de ontem).

Em relação ao número de óbitos, a subida representa um aumento de 3,9% em relação aos dados de sábado. Quanto ao número de casos, esse aumento é de 2,6%. Ambos inferiores aos registados na véspera (4,6% e 3,5%, respetivamente).

O número de recuperado é o mesmo de sábado: 610. Há ainda 1243 internados (menos dez do que ontem), dos quais 224 (menos quatro do que na véspera) nos cuidados intensivos.

"Um gesto imponderado, uma saída desnecessária, pode deitar tudo a perder", avisou a ministra da Saúde, Marta Temido, na conferência de imprensa diária. "Até à doença estar erradicada, nada será como antes."

"O vírus não está controlado, vai-se controlando", disse mais tarde a diretora-geral de Saúde, Graça Freitas, na mesma conferência.

Comemoração do 25 de Abril

"Não há qualquer contradição entre este dever [o confinamento], que ainda impende sobre todos nós, e aquilo que sejam organizações que possam vir a ser feitas de sinalização de determinados dias específicos da nossa vida coletiva, porque faremos essa organização dentro destas mesmas regras e sabemos que podemos contar com todos para isso", acrescentou, numa altura que há polémica em relação à comemoração do 25 de Abril e também do 1 de Maio.

"Neste momento estamos a trabalhar quer com a Assembleia da República quer com o Ministério da Administração Interna para ver a definição das regras precisas exatas em que possam ser assinalados esses dois momentos", disse a ministra, deixando claro que o trabalho é feito no sentido de proteger todos. "Uma coisa é a comemoração de rua, em que pessoas de abraçam, se juntam, outra são as condições que teremos que definir para que esses dois momentos possam acontecer".

A diretora-geral de Saúde, Graça Freitas, lembrou que o país tem apostado na regra do distanciamento social. "Estamos certos que todas as pessoas que querem promover a comemoração de datas tão especiais para os portugueses o vão fazer mantendo essas regras", afirmou, dizendo que há espaço para negociar como essas regras podem ser cumpridas. "O distanciamento social é a primeira e mais importante medida para evitar o contágio", indicou.

Questionada sobre a questão de serem proibidos eventos com mais de cem pessoas, Graça Freitas diz que há edifícios que podem sempre permitir "um bocadinho mais de pessoas", cumprindo sempre o distanciamento. Está prevista a presença de 120 pessoas na comemoração do 25 de Abril na Assembleia da República.

Marta Temido repete que, até à descoberta de uma cura ou vacina não estamos livres deste vírus, considerando ter dito que a incidência máxima do coronavírus se terá situado entre 23 e 26 de março é uma informação que "responsabiliza as pessoas, não as desresponsabiliza". Que se não se mantiver o comportamento dos portugueses até agora, pode haver novas ondas.

Uma média de 9800 testes por dia

Segundo o boletim, há ainda 4959 pessoas a aguardar o resultado dos testes, menos 207 do que na véspera. Desde 1 de janeiro já houve 187 604 casos suspeitos. Há 27 947 contactos em vigilância pelas autoridades de saúde.

"A média de testes feito por dia foi de 9800", disse a ministra, indicando que o recorde foi registado na última quarta-feira: mais de 13 300. No total já foram feitos cerca de 249 mil testes.

"São testes que são realizados não só no SNS, mas também em laboratórios da rede privada e até de entidades académicas. Isso torna a agregação dos números um pouco mais demorada, do que o relato diário dos testes no SNS", disse Marta Temido, indicando que não tem, por exemplo, os dados referentes aos testes de ontem (pode haver atraso no reportar dos casos ao SNS).

A ministra indicou que a linha Saúde 24 recebeu 7700 chamadas no último dia, tendo o tempo médio de espera sido de 28 segundos.

Portugal já encomendou 508 ventiladores, tendo sido apenas recebidos 65 e não há data para receber os próximos. "Prende-se com restrições do próprio mercado de origem, a China, e da procura de vários países em simultâneo, assim como a alteração das regras na China", disse a ministra.

Norte com mais mortos e casos

A região Norte é a que regista o maior número de mortos (409, mais 16 do que na véspera), seguida pelo Centro (164, mais sete), pela região de Lisboa e Vale Tejo (126, mais dois), do Algarve (10, mais um) dos Açores (5, mais um), adianta o relatório da situação epidemiológica, com dados atualizados até às 24:00 de sábado.

É também a Norte que há mais casos, totalizando 2 148, mais 386 face ao dia anterior, seguida pela região de Lisboa e Vale do Tejo, com 4500 (mais 62), da região Centro, com 2923 (mais 60), do Algarve com 310 (mais quatro) e do Alentejo com 158 casos (o mesmo número que na véspera).

Os Açores registam 106 casos de covid-19 (um aumento de dois) e a Madeira 61, mais sete que na véspera.

O Porto é o concelho com mais casos, 1059, seguido de Lisboa onde há 1038. Vila Nova de Gaia é o terceiro concelho com mais de mil casos: tem 1035.

Das mortes registadas, 470 foram de pessoas que tinham mais de 80 anos, 151 tinham idades entre os 70 e os 79 anos, 65 entre os 60 e os 69 anos, 20 entre os 50 e os 59 anos e oito entre os 40 e os 49 anos.

A taxa de letalidade mantém-se nos 3,5% e de letalidade dos mais de 70 anos nos 12,6%.

Saúde mental

Na conferência de imprensa de hoje, a ministra quis pôr o foco na saúde mental, estando presente Miguel Xavier, diretor do Programa Nacional de Saúde Mental.

"O programa nacional de saúde mental e do sistema nacional de saúde entenderam publicar uma norma específica para a resposta à saúde mental no contexto da resposta à covid-19. Reforça a circunstância de o modelo de intervenção em saúde mental se basear no que está definido desde 2018, estabelecido após os incêndios, sobre a intervenção em emergência em catástrofe", disse a ministra.

De acordo com Marta Temido, este foca três ordens de prioridade. As pessoas com doença mental, com o reforço dos meios alternativos de seguimento e resposta não presencial e a reorganização dos serviços para administração dos cuidados seguros a estes doentes, mas também foca também a população em geral, com o reforço e facilitação de acesso a serviços de saúde mental e os próprios profissionais de saúde, com o apoio de proximidade dado pelos serviços locais de saúde mental.

A ministra anunciou a criação de um microsite destinado à saúde mental dentro do site covid-19 do Ministério da Saúde.

Miguel Xavier, diretor do Programa Nacional de Saúde Mental, lembrou que a Saúde Mental "é um tema que afeta todos, desde crianças a pessoas idosas".

"A situação inesperada que estamos a viver é ela própria causadora de problemas de saúde mental", disse, lembrando que saúde mental não é ausência de doença mental. "É termos um conjunto de dimensões que nos dão a capacidade de ter prazer na vida", indicou, dizendo que nesta pandemia há muitos determinantes que podem fazer com que a nossa saúde mental possa sofrer. Desde logo o medo, referiu, mas também a disrupção social ou o confinamento.

Miguel Xavier diz que sentimentos de ansiedade são muito comuns e não quer dizer que as pessoas venham a desenvolver doenças mentais.

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