"Confraternizações familiares" na origem da maioria dos novos casos

DGS pede aos portugueses para reduzirem o convívio em jantares, casamentos e outros eventos. Esta semana, as "confraternizações familiares" foram responsáveis por 67% dos novos casos.

As "confraternizações familiares têm sido responsáveis por 67% dos casos reportados nos últimos dias no país", afirmou a diretora-geral de saúde, Graça Freitas, na conferência de imprensa sobre a situação da pandemia em Portugal esta sexta-feira, referindo-se ao número de casos de novas infeções que tem surgido na sequência de festas de casamento, batizado ou outras.

"Quando as autoridades de saúde fazem uma investigação epidemiológica, encontram esse tipo de convívio", revelou a diretora-geral da saúde, apelando a que as famílias "se coíbam, nesta fase em que há transmissão crescente na comunidade, de ter esses encontros festivos que obviamente levam a descontração, a múltiplos contactos e contactos de proximidade. Muitas vezes isto é acompanhado de refeições, de ingestão de alimentos e bebidas, as máscaras são retiradas, o que ainda aumenta o risco."

Graça Freiras foi bem clara: "Apelamos à colaboração de todos, não estamos em 2019. Compete-nos a contraria a tendência de disseminação do vírus em Portugal"

"Naturais preocupações" em relação ao números de casos

Os números não deixam muitas dúvidas: nas últimas 24 horas registaram-se 1394 novas infeções de covid-19 em Portugal e 12 óbitos que traduzem uma taxa de letalidade de 2,5% em relação ao total da população e de 13% na população com idade superior a 70 anos.

Além disso, segundo informou a ministra da Saúde, Marta Temido, a taxa de incidência da covid-19 é de 67,4 novos casos por 100 mil habitantes - no entanto, subiu para 115,4 nos últimos 14 dias.

Estes indicadores "inspiram naturais preocupações" quanto à pressão exercida sobre o Serviço Nacional de Saúde, admitiu a ministra da Saúde. No entanto, fez questão de sublinhar que neste momento o SNS e o país estão muito mais bem preparados para responder à pandemia.

Quanto à capacidade de testagem, passou-se de uma média de 2500 testes por dia em março para 19 600 testes por dia neste mês de outubro. No dia 7 de outubro estabeleceu-se um novo recorde de testagem: 28 392 testes realizados.

Também no que toca ao número de ventiladores, aos 1142 ventiladores disponíveis em março juntaram-se mais 713 (dos 966 já entregues).

E, finalmente, Marta Temido sublinhou o investimento feito na Linha SNS24. No início da pandemia, a linha telefónica só conseguia atender 67% das chamadas e o tempo médio de espera era de 26 minutos. Nesta semana, foram respondidas 97% das chamadas com um tempo de espera de 57 segundos ("num nível de pressão que está perto das 18 mil chamadas").

A ministra destacou ainda a instalação de linhas de atendimento específicas para surtos por videochamada, a linha de apoio psicológico e ainda a aplicação Trace COVID, que considera um "instrumento fundamental" para o combate à propagação de vírus.

Cuidados primários e humanização: o que é preciso melhorar

Apesar de tudo isto, há "muitas coisas para continuar a melhorar", disse, como por exemplo o "atendimento telefónico" e a espera nos cuidados de saúde primários, áreas onde espera obter progressos "durante os próximos dois meses". "Estamos a falar de intervenções complexas e de problemas antigos do SNS que se agravaram no contexto da pandemia", ressalvou.

Outro aspeto a melhorar é a resposta às necessidades assistenciais não-covid. Em agosto, os cuidados de saúde primários registavam menos 920 mil consultas do que é habitual - um número que ainda assim era inferior ao mais de um milhão de consultas por realizar nos meses de maio, junho e julho (isto, tendo como ponto de comparação as 18 milhões de consultas realizadas em 2019).

"Este é um equilíbrio para o qual precisamos de contar com todos, embora exija níveis de stress que são superiores àquilo que fosse uma simples opção pelo cancelamento de atividade não urgente", disse a ministra. "Este não é o momento de ninguém desistir e tenho a certeza que podemos contar com o melhor de todos."

Por fim, Marta Temido reconheceu que outro dos aspetos a melhorar se relaciona com a humanização dos cuidados de saúde - algo que deve ser preservado neste contexto difícil. A este propósito, a diretora-geral de saúde, Graça Freitas, sublinhou que no que toca às grávidas as diretivas da DGS são para que "as unidades hospitalares devem assegurar as condições para garantir a presença de um acompanhante durante o parto".

28 surtos em escolas

No que toca às escolas, estão neste momento identificados 28 surtos em estabelecimentos de ensino, que correspondem a 75 casos confirmados.

Finalmente, quanto à vacina da gripe, que nesta altura do ano costuma ser disponibilizada para as populações mais vulneráveis, Graça Freitas garante que "tudo está a correr como estava programado, até a correr melhor". As vacinas já estão disponíveis e a campanha de vacinação nos lares já começou.

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