Chefe do SEF em Albufeira detido por corrupção

A Polícia Judiciária reuniu indícios fortes de prática de crimes de corrupção por parte deste responsável, o chefe da Delegação de Albufeira, que receberia dinheiro para acelerar processos. Estão a decorrer buscas

A detenção aconteceu esta manhã e surpreendeu os funcionários da delegação do SEF que viram o inspetor-chefe a ser detido por uma equipa da PJ. Em causa estão crimes de corrupção, alegadamente cometidos por este responsável no âmbito das suas funções. Trata-se do chefe da Delegação de Albufeira deste serviço de segurança e foi detido em sua casa logo. Durante a manhã foram feitas buscas e apreendidos documentos na delegação do SEF.

Em comunicado entretanto divulgado, a PJ refere que o detido, que liderava aquela delegação desde 2017, "recebia presumivelmente quantias monetárias de estrangeiros, para a concessão de autorização de residência em Portugal". Assinada ainda que "a investigação teve por base uma participação do SEF, entidade que colaborou estreitamente com a Polícia Judiciária no decorrer de todas as diligências". De acordo ainda com a PJ "O detido tem de 56 anos de idade e vai ser presente às autoridades judiciárias competentes para aplicação das medidas de coação tidas por adequadas".

Em maio, recorde-se, foi detida uma outra inspetora na zona de Lisboa, juntamente com um advogado, constituída arguida por corrupção. Esta inspetora, que foi coordenadora do posto de Alverca, foi apanhada em flagrante a receber dinheiro de um advogado. Conforme o DN noticiou na altura, esta responsável já tinha sido alvo de um inquérito interno e de um processo disciplinar, pela anterior direção do SEF, liderada por Luísa Maia Gonçalves.

No entanto, o atual diretor nacional, Carlos Moreira, quando tomou posse em outubro passado, decidiu mandar arquivar o processo, tendo o SEF sido depois surpreendido com a investigação criminal visando a inspetora. O procedimento disciplinar interno arquivado detetou além de factos que podiam configurar crimes de corrupção, várias irregularidades na concessão de vistos, apontando responsabilidades até ao topo do SEF, incluindo uma subdiretora regional e um subdiretor nacional, ao tempo em que o SEF era dirigido por Beça Pereira.

Contactado pelo DN, o presidente do Sindicato da Carreira de Investigação e Fiscalização do SEF confirmou o sucedido mas está "a aguardar mais informações" sobre o mesmo. "Em qualquer processo há uma questão que é fundamental que é a presunção de inocência, sendo certo que não compactuamos com quaisquer comportamentos ilícitos. Nessa medida tudo deve ser averiguado ao mais ínfimo pormenor, doa a quem doer", assinalou Acácio Pereira.

Questionado sobre se as políticas de prevenção de corrupção no SEF, polícia que já teve um ex- diretor nacional, Manuel Palos, julgado por suspeitas deste crime (a sentença será conhecida em setembro), eram suficientes, Acácio Pereira remeteu outros comentários para mais tarde.

(Atualizado às 12.:20 horas com o comunicado da PJ)

Exclusivos

Premium

Nuno Severiano Teixeira

"O soldado Milhões é um símbolo da capacidade heroica" portuguesa

Entrevista a Nuno Severiano Teixeira, professor catedrático na Universidade Nova de Lisboa e antigo ministro da Defesa. O autor de The Portuguese at War, um livro agora editado exclusivamente em Inglaterra a pedido da Sussex Academic Press, fala da história militar do país e da evolução tremenda das nossas Forças Armadas desde a chegada da democracia.

Premium

Ferreira Fernandes

A angústia de um espanhol no momento do referendo

Fernando Rosales, vou começar a inventá-lo, nasceu em Saucelle, numa margem do rio Douro. Se fosse na outra, seria português. Assim, é espanhol. Prossigo a invenção, verdadeira: era garoto, os seus pais levaram-no de férias a Barcelona. Foram ver um parque. Logo ficou com um daqueles nomes que se transformam no trenó Rosebud das nossas vidas: Parque Güell. Na verdade, saberia só mais tarde, era Barcelona, toda ela.

Premium

Maria Antónia de Almeida Santos

Dos pobres também reza a história

Já era tempo de a humanidade começar a atuar sem ideias preconcebidas sobre como erradicar a pobreza. A atribuição do Prémio Nobel da Economia esta semana a Esther Duflo, ao seu marido Abhijit Vinaayak Banerjee e a Michael Kremer, pela sua abordagem para reduzir a pobreza global, parece indicar que estamos finalmente nesse caminho. Logo à partida, esta escolha reforça a noção de que a pobreza é mesmo um problema global e que deve ser assumido como tal. Em seguida, ilustra a validade do experimentalismo na abordagem que se quer cada vez mais científica às questões económico-sociais. Por último, pela análise que os laureados têm feito de questões específicas e precisas, temos a demonstração da importância das políticas económico-financeiras orientadas para as pessoas.