Cardeal-patriarca diz que é necessário manter a suspensão das celebrações comunitárias

Para o cardeal-patriarca, "neste tempo difícil, a presença física tem de ser quase substituída pelos meios de comunicação". Mensagem aos patriarcas não refere celebrações do dia 13 de Maio.

O cardeal-patriarca de Lisboa, Manuel Clemente, defendeu este domingo a manutenção da suspensão das celebrações comunitárias, alertando que o fim do estado de emergência não significa o fim da pandemia de covid-19 nem do perigo de ela alastrar.

Segundo o presidente da Conferência Episcopal Portuguesa, é necessário manter a suspensão das celebrações comunitárias, "a bem da saúde pública", pois "o fim do estado de emergência não significou o fim da pandemia e do grande perigo de ela alastrar", se não se mantiver "o cuidado necessário", afirma o cardeal-patriarca numa nota ao clero da diocese, publicada este domingo na página do Patriarcado de Lisboa na internet.

O documento não menciona as celebrações do 13 de Maio. A ministra da Saúde admitiu que podem ser uma "possibilidade", desde que respeitando as novas regras do estado de calamidade. Uma declaração que apanhou o Santuário de Fátima de surpresa.

Na carta Manuel Clemente sublinha que "o Governo não autorizou celebrações religiosas em geral até ao fim deste mês" e "o Santo Padre pediu para todos nós a graça da prudência e da obediência às orientações oficiais, para que a pandemia não regresse".

"Custa-nos certamente, mas temos de cumprir, a bem da saúde pública. Atentos ao bem de todos e de cada um, com o cuidado que a sua vida nos requer, da saúde do corpo à do espírito, totalmente considerada e respeitada, para ser vida em abundância", escreve o responsável.

Na "Carta aos sacerdotes ao serviço no Patriarcado de Lisboa", Manuel Clemente diz que o adiamento, para 30 de maio, do "regresso das celebrações comunitárias da Missa" constitui uma "dificuldade" para si, mas que tem de ser assim, "a bem de todos", reconhece.

"Como vós, fui formado para acompanhar presencialmente o Povo de Deus, em especial na celebração eucarística e demais sacramentos, cuja administração nos define e realiza. Assim voltará a ser, logo que possível, como o Povo de Deus tanto anseia -- e nós com ele", acrescenta o presidente da Conferência Episcopal Portuguesa.

"No que nos cabe, defendemos a saúde dos fiéis e anunciamos a vida ressuscitada de Cristo. Essa mesma que não precisa que lhe abram a porta para se manifestar perto ou longe", refere ainda Manuel Clemente, que saúda os sacerdotes pela "dedicação demonstrada ao Povo de Deus".

Especialmente, destaca o cardeal-patriarca, "neste tempo difícil, em que a presença física tem de ser quase substituída pelos meios de comunicação, antigos e novos, ao nosso alcance. Tem sido grande a vossa ação e criatividade neste sentido".

Em Portugal, morreram 1.023 pessoas das 25.190 confirmadas como infetadas, e há 1.671 casos recuperados, de acordo com a Direção-Geral da Saúde.

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