Bernardo Freitas termina no pódio na primeira Regata de Portugal

Português ganhou a última regata do dia o que lhe permitiu ficar em terceiro na primeira edição da Regata de Portugal. Na Match Racing a vitória foi do sueco Nicklas Dackhammar, que elogiou o evento e a cidade de Lisboa

O timing perfeito fez a diferença na última regata. Bernardo Freitas estava a apostar numa tática que no momento certo resultou e levou o português e a sua equipa, Adamastor Racing, ao pódio da primeira edição da Regata de Portugal. O segundo lugar ficou a apenas um ponto, com o francês Yann Guichard a sagrar-se o vencedor. "Senti que escolhi a equipa certa. Provaram que são atletas de topo mundial. Com apenas alguns dias de treino conseguimos evoluir e fazer a diferença", afirmou ao DN, acreditando que se a Match Racing começasse agora, talvez tivesse conseguido ir mais longe nas eliminatórias.

No último dia de competição no Terminal de Cruzeiros, em Lisboa, disputaram-se as últimas três regadas. Na derradeira, a nona, Bernardo Freitas teve a partida que tanto esperava e não deu hipóteses à concorrência. "A nossa estratégia foi na largada entrar o menos possível em confronto direto com os adversários e deixar que cometessem erros. Fizemos as largadas todas iguais e esta foi mesmo ao toque, com boa velocidade, controlámos até o fim e vencemos", explicou. Antes da regata decisiva, dois pontos separavam a equipa de Bernardo Freitas do pódio. O timing perfeito no arranque foi decisivo: "Estou super contente com o trabalho da equipa. Espero estar cá para o ano."

Foi um final em grande para a primeira edição de um evento que juntou a vela -as embarcações eram os catamarãs M32 -, gastronomia, arte urbana e música. Yann Guichard (Spindrift Racing), uma das grandes referências mundiais venceu a Regata de Portugal, somando 28 pontos. O britânico Ian Williams (GAC Pindar) - também ele uma das principais figuras da modalidade - somou 33, menos um que Bernardo Freitas. Hugo Rocha, que liderou a Team Portugal, terminou na sexta posição, com 46 pontos.

Decidido o vencedor da competição de frota, seguiram-se as decisões da etapa portuguesa da World Match Racing Tour. O vento pregou uma partida e acabou por não permitir que se realizassem todas as corridas. A discussão era à melhor de três para o terceiro e quarto lugar, a final à melhor de cinco. Porém, só houve dois frente a frente em cada uma das decisões. Com tudo empatado 1-1 e sem vento, o regulamento determinou que o vencedor seria o primeiro da última regata realizada. Isto significou que Ian Williams somou mais um segundo lugar, perdendo para o sueco Nicklas Dackhammar (Essiq Racing). O australiano Harry Price (Down Under Racing) fechou o pódio, com Yann Guichard a ficar no quarto lugar.

"Estamos mesmo felizes. Estamos a ter uma época muito forte, a equipa tem estado nas meias finais e a competir no último dia em todos os eventos. Em fevereiro dissemos que íamos tentar estar no último dia e lutar pelas medalhas. Começámos com o bronze e tudo tem estado a correr bem e agora conquistámos a medalha de ouro", referiu Nicklas Dackhammar ao DN.

O sueco não esconde o quanto estava feliz com o triunfo, mesmo que, como atleta, gostasse de ter disputado até ao fim a final. No entanto: "Uma vitória é uma vitória. Sabemos as regras e às vezes é assim."

Dackhammar elogiou ainda a organização e a cidade de Lisboa. "Quero voltar, especialmente agora que queremos defender medalha de ouro. Tem sido uma semana maravilhosa. O evento é muito bom, talvez um dos melhores em que estive este ano. Velejar aqui não é fácil, há muita corrente o que dificulta velejar todo o dia. Mas talvez começando mais cedo podemos aproveitar melhor o dia, mas foi um evento soberbo", sugeriu. "A hospitalidade e as pessoas, foi tudo bom", acrescentou, recordando como ficou hospedado em Alfama e, sem surpresa, adorou.

A Regata de Portugal teve ainda grandes momentos de diversão, como foi o caso do set do DJ Overrule

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