Nesta casa em Baleizão residem, numa camarata em condições precárias, cerca de vinte homens de origem
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Baleizão. Aldeia com história e muitos imigrantes abandonados e com fome

Com a impossibilidade de se deslocarem para outros locais em busca de trabalho, pelo menos dois mil imigrantes, na sua maioria hindustânicos, ficaram retidos no interior do Alentejo, após o final da campanha de apanha da azeitona.

São trabalhadores indiferenciados que foram abandonados pelos engajadores ou que estão nas mãos de redes ilegais de contratação de mão-de-obra. Uma comunidade invisível, que passa à margem das estatísticas e das entidades oficiais, que sobrevive sob o lema do medo. E da fome.

Passada a maré viva da apanha da azeitona, onde, segundo um estudo encomendado pelos grandes produtores do setor, cerca de 32 mil trabalhadores agrícolas indiferenciados rumaram às plantações do Alqueva, são agora percetíveis os "destroços" que a gigantesca vaga migratória abandonou nas aldeias e montes do Alentejo. Ninguém sabe ao certo quantos são os imigrantes, na sua grande maioria asiáticos, que ficaram para trás. Embora as associações locais de apoio social estimem que possam ser mais de dois mil. Todos eles com uma história comum para contar. E cujo argumento passa invariavelmente pela extorsão, pelo medo e pela fome extrema.

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