Armas roubadas na PSP: ex-diretor demitido quase dois anos depois

O superintendente Paulo Sampaio dirigia o departamento de onde foram desviadas as 57 pistolas Glock e contestou a decisão do governo de o exonerar do cargo de oficial de ligação na Guiné Bissau, cargo que ocupava quando o roubo foi detetado

Quase dois anos depois de lhe ter sido determinada a exoneração de funções como oficial de ligação do ministério da Administração Interna na Guiné-Bissau, o ex-diretor do departamento da PSP de onde foram roubadas 57 pistolas Glock está oficialmente demitido.

De acordo com o despacho publicado esta quinta-feira em Diário da República, é determinada ao superintendente Paulo Sampaio a "cessação, com efeitos imediatos, da comissão de serviço" naquele país africano.

Esta decisão já tinha sido tomada em março de 2017 - cerca de dois meses depois de crime ter sido conhecido - pela ex-ministra da Administração Interna, Constança Urbano de Sousa, mas o oficial contestou em tribunal e o processo judicial só ficou concluído no passado dia 15 de outubro. Paulo Sampaio é assim obrigado a regressar a Portugal.

Os motivos da decisão estão explicados no despacho: "considerando, especificamente, a existência de fortes indícios de falha de supervisão e/ou inspeção das condições de armazenamento, acesso e distribuição de armas no Departamento de Apoio Geral (DAG) da PSP, que motivou a instauração de processo disciplinar a toda a cadeia hierárquica do DAG; Considerando a gravidade e a sensibilidade dos factos; Considerando que no período a que respeitam os factos, o Superintendente Paulo Jorge Gonçalves Sampaio era Diretor do DAG, e que o mesmo exerce atualmente as funções de Oficial de Ligação da Administração Interna junto da Embaixada de Portugal em Bissau (...), designação essa que pressupõe uma total confiança, que se vê agora inviabilizada pelas conclusões do processo de inquérito suprarreferido".

Este roubo, recorde-se, foi detetado em janeiro de 2017 quando numa operação policial no Porto, envolvendo tráfico de droga, foi apreendida uma destas armas, que têm escrito "Forças de Segurança". Ao todo foram recuperadas oito destas pistolas: além desta do Porto, uma em Ceuta, outra em Andaluzia (em operações da polícia espanhola) e outras três em Portugal (pela PSP). As armas foram roubadas no respetivo estojo com as respetivas munições e kits de limpeza.

O Ministério Público abriu um inquérito criminal, que delegou na PSP, mas não há arguidos até agora. Dois agentes que trabalhavam no departamento foram também alvo de ação disciplinar e estiveram suspensos de funções durante 180 dias, tendo já regressado ao serviço em outra área da PSP onde exercem a atividade desarmados, aguardando agora o desfecho a investigação judicial.