Alunos separados em "bolhas" dentro da escola mas todos juntos antes de entrar

Mais de mil alunos amontoaram-se esta quinta-feira de manhã junto à entrada da Escola Secundário Pedro Nunes, em Lisboa, cujo acesso se fez por apenas uma porta estreita, juntando estudantes que lá dentro estão separados em "turmas bolha" para prevenir a covid-19.

Cerca de uma dezena de pais, que esta quinta-feira decidiu levar os filhos à escola para que não andassem de transportes públicos devido à pandemia de covid-19, assistiram revoltados ao "caos instalado" em frente à Escola Secundária Pedro Nunes.

"Não vale a pena terem planos muito elaborados, com grupos bolha e circuitos de circulação, quando depois os miúdos estão todos aqui, uns em cima dos outros, à espera para entrar", criticou um pai, que pediu o anonimato.

A Escola Secundária Pedro Nunes, em Lisboa, tem cerca de 1.200 alunos, alguns começaram as aulas às 8:15 enquanto outros às 8:30.

Às oito da manhã, já havia dezenas de estudantes junto à escola cumprindo as recomendações da Direção-Geral da Saúde (DGS): mantinham o distanciamento físico e traziam máscaras. Mas, pouco depois, o espaço tornou-se demasiado pequeno e começaram a surgir alguns sem máscara.

Todos entraram na escola por apenas uma porta com cerca de um metro de largura perante o olhar reprovador dos pais presentes, que falaram à Lusa mas pediram o anonimato.

"Eu não o deixei vir de transportes públicos por causa do risco de contaminação e depois estão aqui todos encavalitados. Isto é uma vergonha", criticou outra mãe, salientando que o único acesso hoje utilizado tinha duas portas, mas só uma estava aberta.

Os pais lembraram que a escola tem outras entradas: a porta principal do edifício, que é a mais larga, um acesso semelhante ao que hoje estava a ser usado e ainda uma entrada que dá acesso ao parque de estacionamento.

"Podiam ter, pelo menos, três entradas abertas e deviam ter separado os alunos por anos de ensino, em vez de os termos aqui todos concentrados para entrar numa única porta", acrescentou outra mãe.

"Sexta-feira haverá uma nova entrada"

À agência Lusa Rosário Andorinha, diretora da escola, garantiu que na sexta-feira haverá uma nova entrada e reconheceu que houve uma "falha" ao ter aberto apenas uma das duas portas do acesso hoje estabelecido.

Quanto ao portão lateral, que dá acesso ao parque de estacionamento da escola, a diretora explicou que aquele é um percurso utilizado por carros e por isso perigoso e lembrou ainda que o cumprimento das regras do lado de fora do estabelecimento escolar não é uma responsabilidade da escola e que os alunos têm de manter o distanciamento físico.

Lá dentro, as regras há muito que estão definidas. Os circuitos de circulação estão definidos, havendo setas coladas no chão, e nas paredes há cartazes a recordar as novas regras de higiene e segurança.

Há duas semanas, a escola foi visitada pelo ministro da Educação, Tiago Brandão Rodrigues, e pela ministra da Saúde, Marta Temido. Além disso, as salas de aula estão organizadas para receber até 28 estudantes e as secretárias individuais permitem manter o distanciamento.

No entanto, hoje, para entrar na escola, os alunos concentraram-se todos à porta. A grande maioria estava a cumprir a regra da etiqueta respiratória, mas havia quem não o fizesse.

Um pai sugeriu que a escola deveria ter dividido os alunos em dois turnos, passando a ser cerca de 600 de manhã e outros 600 à tarde.

Houve também quem defendesse que os horários deveriam ser desfasados: "Se em vez de estarem todos aqui às 8:15, uns entrassem às 8:00, outros às 8:30 e outros às 9:00, não haveria este tipo de concentração", sugeriu outra mãe.

O ano letivo começou para algumas escolas na segunda-feira, mas para a maioria só começa hoje, com a retoma das aulas presenciais que foram suspensas em 16 de março devido à pandemia da covid-19.

O ministério da educação tem defendido que quer manter ao máximo o ensino presencial, tendo por isso definido em parceria com a DGS várias regras e orientações para que as escolas consigam manter-se abertas. O regresso ao ensino à distância será sempre a última opção.

No entanto, o grupo de pais que hoje foi levar os filhos à Pedro Nunes não acredita que a escola se mantenha aberta durante muito tempo, se as regras não forem alteradas: "Isto é uma vergonha. Daqui a 15 dias está tudo encerrado", alertou um pai.

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