"A covid não é um problema só de alguns". Ordem dos Médicos do Sul pede ajuda com o desconfinamento

Médicos juntaram-se numa campanha para relembrar que medidas como lavar as mãos, usar máscara, manter a distância fazem realmente a diferença e podem diminuir o número de casos de infeção pelo novo coronavírus. Permitindo assim aos profissionais de saúde ajudar outros doentes não covid.

É a primeira vez que a Ordem dos Médicos do Sul cria uma campanha dirigida aos cidadãos. Mas o tempo assim o exige. Com os números dos casos diários de covid-19 a oscilar entre os 200 e os 500, os profissionais de saúde recordam as regras que podem evitar cadeias de transmissão do vírus.

Referem-se a gestos simples, mas "que têm uma aprendizagem". "As pessoas têm de trabalhar, têm de viajar, têm de sair de casa. Não é habitual usarmos máscara ou afastarmo-nos uns dos outros", admite Jorge Penedo, vice-presidente da Ordem dos Médicos do Sul.

"O nosso entendimento é que o combate à pandemia passa também por um conjunto de regras muito básicas, que nem sempre são cumpridas, e que têm de ser muito repetidas para entrarem na cabeça das pessoas, como usar máscara, lavar as mãos ou não sair de casa se tiver sintomas", diz. Na campanha que já está a circular nas rede sociais da Ordem e continuará por mais duas semanas, acrescentam ainda pedidos como evitar ajuntamentos, sair de casa quando desnecessário. Pedem aos portugueses para "desconfinar com consciência", limitando a propagação do vírus.

A campanha informativa surge na sequência dos surtos de Lisboa e Vale do Tejo, área de ação da delegação do Sul da Ordem dos Médicos e que no último mês tem sido o principal foco da infeção no país. A região acumula já o maior número de casos nacionais: 19383 dos 42454 confirmado no boletim epidemiológico da Direção-Geral da Saúde. E 415 vítimas mortais das 1579. Representa também, no último mês, sempre 60% a 95% das notificações diárias de casos.

A ministra da Saúde, Marta Temido, voltou a referir, esta quarta-feira à noite, em entrevista à RTP que não há "descontrolo" da doença na Grande Lisboa, mas assume que existe "uma situação de sobressalto, que não nos deixa estar tranquilos" e "dificuldades em quebrar cadeiras de transmissão".

Para o vice-presidente da Ordem dos Médicos do Sul, as cadeias de transmissão não são fruto "de uma causa única", mas "de múltiplas causas". "A maioria das quais podem ser evitadas de graça e estão ao alcance dos cidadãos. Não quer dizer que não haja outro motivo para que [os números] aumentem, mas há uma contribuição muito grande do cidadão".

"A covid não é um problema só de alguns", lembra o cirurgião Jorge Penedo.

"É uma ajuda que as pessoas estão a dar-nos e a dar a elas próprias"

A campanha traduz-se ainda num pedido de ajuda para que o Serviço Nacional de Saúde (SNS) consiga continuar a dar resposta aos doentes covid e aos doentes não covid que viram adiada a atividade programada não urgente durante a pandemia. "Se não nos ajudarem a baixar esta pandemia, nós também não conseguimos ajudar e fazer aquilo que sabemos fazer que é tratar os doentes", aponta o especialista da Ordem dos Médicos.

"Para ajudarmos os doentes que têm cancro, têm enfarte precisamos de ter os meios, a disponibilidade, o tempo", diz. Baixar a pressão no SNS colocada pelo novo coronavírus é essencial para dar resposta a outros doentes.

"Temos de nos ajudar", pede Jorge Penedo. "É uma ajuda que as pessoas estão a dar-nos e dar a elas próprias".

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