Mais 852 casos e 37 mortes em 24 horas. Primeiro óbito no Alentejo

Taxa de crescimento de novos casos é de 9,4%, semelhante à de ontem, revela a atualização da situação epidemiológica do país feita pela DGS, esta sexta-feira. Lisboa e Porto continuam a ser os concelhos com mais casos.

Há 9886 pessoas infetadas com o novo coronavírus, 246 mortes e 68 recuperados em Portugal, informa o boletim epidemiológico da Direção-Geral da Saúde (DGS) desta sexta-feira (3 de abril). Nas últimas 24 horas, foram confirmados mais 852 casos - um aumento de 9,4% face a ontem - e 37 mortes, o que representa uma subida de 18% em relação ao dia anterior. Hoje foi o dia em que se registaram mais mortes, desde que o surto começou em Portugal, e também a primeira vez que o Alentejo assinala um óbito.

Estão internadas 1058 pessoas, 245 nos cuidados intensivos (mais cinco do que na quinta-feira). Aguardam ainda resultados das análises laboratoriais 5392 pessoas e mais de 22 mil estão em vigilância pelas autoridades de saúde.

Esta semana (uma quinzena depois de ter sido decretado o estado de emergência), a taxa de crescimento de novos casos no país sofreu uma redução geral. No entanto, ainda é cedo para análises mais profunda à curva epidemiológica, uma vez que esta descida pode estar relacionada, por exemplo, com dificuldades na realização de testes ou com um fenómeno meteorológico.

"Temos assistido a uma redução do aumento percentual diário de novos casos entre 7 a 20% (média de 15,7%), bem diferente dos valores das semanas anteriores, cujas percentagens com médias de 24,8% e 40,7%", dizia, esta quinta-feira, a investigadora e diretora da Escola Nacional de Saúde Pública (ENSP) da Universidade Nova de Lisboa, Carla Nunes, no balanço semanal feito pelo projeto Barómetro Covid-19. Este estudo indica ainda que, neste momento, Portugal terá 14 doentes por cada 100 em Itália e 20 por cada 100 em Espanha.

A taxa de crescimento de novos casos esta sexta-feira é de 9,4%, semelhante, portanto, à de ontem (9,5%). Já a de mortes está a aumentar, sendo hoje de 18%.

Sobre as vitimas mortais, o boletim mostra que 87% tinham mais de 70 anos. 21 infetados eram pessoas entre os 60 e os 69 anos, nove tinham entre 50 e 59 anos. Morreram ainda duas mulheres entre os 40 e os 49. A taxa de letalidade global encontra-se agora nos 2,5%, número que ascende a 10,2% no caso das pessoa acima dos 70 anos.

"A mediana [da letalidade] nas mulheres é de 85 anos e 80 anos nos homens", indicou a diretora-geral da Saúde, durante a conferência de imprensa diária, no ministério da saúde. Graça Freitas referiu também que entre os primeiros sintomas da doença até ao dia da morte decorreram em média oito dias, sendo que a maioria das vitimas já tinha três doenças, como problemas cardiovasculares, neoplasias, entre outras. No entanto lembra: "não é nenhuma fatalidade ser idoso e ter doenças".

O número de recuperado mantém-se igual ao de ontem (68 pessoas). Indicador que se tem revelado mais difícil de alterar, uma vez que a doença pode ser prolongada e que são necessários dois testes negativos antes de um infetado ter alta médica.

Região norte e município de Lisboa com mais casos

A região mais afetada com casos de coronavírus no país continua a ser o norte (5899 infetados, 130 mortes). Seguem-se a região de Lisboa e Vale do Tejo (2347, 51), o centro (1286, 61), Algarve (179, 3), os Açores (63), o Alentejo (62 e o primeiro óbito na região) e a Madeira (50).

A nível de municípios, Lisboa continua a ser o concelho com maior número de doentes em Portugal. Tem 634 pessoas infetadas, mais 40 que na quinta-feira. Seguem-se os municípios do Porto (606), de Vila Nova de Gaia (449), Gondomar (424) e Maia (390). Consulte aqui se existem casos no seu município:

Estes dados são recolhidos através do Sistema Nacional de Vigilância Epidemiológica (SINAVE), correspondem apenas a 79% do total de infetados.

"Estamos no mês mais critico"

Com os dados divulgados esta quinta-feira à frente, António Lacerda Sales, secretário de estado da Saúde, diz: "A renovação do estado de emergência obriga a um esforço adicional. Não podemos vacilar, baixar a única defesa" contra esta pandemia, "que é o contacto social". "Estamos no mês mais critico", afirmou o governante, em conferência de imprensa.

António Lacerda Sales informou ainda que Portugal espera receber 24 milhões de máscaras até ao final do mês de abril, enquanto a diretora-geral da Saúde prometeu que as autoridade continuam a vigiar as novas evidências científicas sobre os grupos que devem usar máscara.

"Sempre dissemos que se houvesse evidências novas, agiríamos", garantiu Graça Freitas, depois do Conselho de Escolas Médicas Portuguesas criticar a posição da DGS sobre as máscaras. Sublinhando que "não há uma única medida que seja completamente eficaz" e que se as máscaras passassem a ser recomendadas a todos não se poderia deixar para segundo plano a contenção social.

Covid-19 no mundo. Mais de um milhão de casos

A pandemia do novo coronavírus ultrapassou esta quinta-feira a barreira de um milhão de infetados e de 50 mil mortos em todo o mundo, desde que o surto começou na China, no final do ano passado. De acordo com os dados oficiais atualizados às 12:00, há já 1 030 199 casos, 54 198 mortes e 219 837 recuperados.

Os Estados Unidos da América (EUA) continuam a ser o país do mundo com o maior número de infetados: 245 380. Seguem-se Espanha (117 710, mais 5645 nas últimas 24 horas) e Itália (115 242). Portugal ocupa o 16.º lugar da tabela mundial.

Quanto ao número de mortes, Itália é o país que mais óbitos declarou até agora (13 915). Depois Espanha (10 935) e os EUA (6 095).

Recomendações da DGS

Para que seja possível conter ao máximo a propagação da pandemia, a Direção-Geral da Saúde continua a reforçar os conselhos relativos à prevenção: evite o contacto próximo com pessoas que demonstrem sinais de infeção respiratória aguda, lave frequentemente as mãos (pelo menos durante 20 segundos), mantenha a distância em relação aos animais e tape o nariz e a boca quando espirrar ou tossir (de seguida lave novamente as mãos). E acima de tudo: fique em casa.

Em caso de apresentar sintomas coincidentes com os do vírus (febre, tosse, dificuldade respiratória), as autoridades de saúde pede que não se desloque às urgências, mas sim para ligar para a Linha SNS 24 (808 24 24 24) ou para a unidade de cuidados primários mais próxima.

Notícia atualizada às 15:40 com novo título

Mais Notícias

Outros conteúdos GMG