24 e 23 anos de prisão para Diana Fialho e Iuri Mata. E não recebem herança

Coletivo do Tribunal de Almada deu como provado o crime de homicídio

Diana Fialho e Iuri Mata foram esta segunda-feira condenados a 24 e 23 anos de prisão (respetivamente) pelo homicídio de Amélia Fialho, em setembro, no Montijo.

Diana Fialho, condenada por homicídio qualificado e profanação de cadáver, foi ainda declarada indigna de herdar os bens da mãe.

O coletivo de juízes do tribunal de Almada deu como provado que o casal assassinou a mãe adotiva da arguida depois desta ter ameaçado que a retiraria do testamento que realizara em 2013.

O juiz Nuno Salpico, que presidiu ao julgamento, considerou que o casal atuou "sem respeito pela vida da vítima", tendo agido "com frieza de ânimo".

Quase todos os elementos contidos na acusação foram dado como provados. Apenas uma suposta discussão entre Diana e Amélia Fialho acerca de Iuri e a pesquisa online que os arguidos teriam feito sobre medicamentos para adormecer a vítima antes de a matar não ficaram provados. As advogadas de defesa do casal já confirmaram que vão pedir recurso da decisão, até por estranharem a rápida decisão do tribunal que ainda na mesma tarde ouviu as alegações finais.

Pedida pena máxima

Na última audiência, o procurador do Ministério Público (MP) Jorge Moreira da Silva pediu a pena máxima de 25 anos de cadeia para Diana Fialho, 23 anos, e Iúri Mata, 27 anos, por homicídio qualificado e por profanação de cadáver. "Gizaram um plano para matar Amélia Fialho, de 59 anos, e, ao jantar, colocaram fármacos na bebida da vítima que puseram a dormir", altura em que desferiram "vários golpes utilizando um martelo", é descrito no despacho de acusação do MP.

A acusação relata ainda que o casal levou o corpo na bagageira do carro até um terreno agrícola em Pegões, Montijo, onde "atearam fogo ao cadáver" com gasolina. Tese esta que resulta, segundo Jorge Moreira da Silva, da reconstituição do crime feita por Iúri Mata à Polícia Judiciária, do sangue encontrado dentro da viatura usada para transportar o corpo e das imagens do casal na bomba de gasolina onde foram comprar combustível. E até do relatório de autópsia que identifica dois medicamentos no corpo da vítima (um antidepressivo e outro usado em distúrbios de sono graves), que nunca foram prescritos a Amélia.

Tudo acusações que a defesa negou durante o julgamento, tendo pedido a absolvição do casal por considerar que não foi provada a participação no crime. Os arguidos remeteram-se ao silêncio, no caso de Iúri Mata "por estar sob o efeito de forte medicação" depois de se ter tentado suicidar duas vezes, de acordo com a advogada do mesmo, Alexandra Marques Coelho. "Ainda há muta coisa para ser falada", garantiu esta sexta-feira. Quer durante a próxima audiência, quer depois em recursos "no plural", que diz ir pedir. O mesmo dá a entender a advogada de Diana Fialho, Tânia Reis.

Diana Fialho, atualmente no Estabelecimento Prisional de Tires, e Iúri Mata, no do Montijo,foram detidos e presentes a tribunal a 7 de setembro de 2018, quando ficou decidido que ficariam em prisão preventiva. No entanto, o julgamento só começou no dia 4 de junho deste ano.

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