Maior aumento em 20 dias. 304 casos em 24 horas e só 34 não são na Grande Lisboa

87% dos infetados notificados no boletim de hoje da DGS têm residência na zona de Lisboa e Vale do Tejo. O mesmo documento aponta que há mais 13 vítimas mortais.

Em Portugal, nas últimas 24 horas, morreram mais 13 pessoas e foram confirmados mais 304 casos de covid-19 (um aumento de 0,97% em relação ao dia anterior). É a maior subida de novos infetados dos últimos 20 dias. É preciso recuar a 8 de maio para encontrar um crescimento mais acentuado (553 casos). Segundo o boletim epidemiológico da Direção-Geral da Saúde (DGS), desta quinta-feira (28 de maio), no total, desde que a pandemia começou registaram-se 31596 infetados, 18637 recuperados (mais 288) e 1369 vítimas mortais no país.

Quase todos os novos casos (87%) localizam-se, mais uma vez, na região de Lisboa e Vale do Tejo, que merece uma "atenção especial" e "preocupação" por parte das autoridades de saúde, como apontou o Presidente da República, à saída de uma reunião no Infarmed, esta quinta-feira. Enquanto o resto do país evolui favoravelmente, a Grande Lisboa continua a somar todos os dias 200 a 300 novos casos, tal como as autoridades já tinham previsto. Hoje são mais 265.

Apenas 34 infetados dos notificados no último dia se distribuem por outras regiões do país. 20 têm residência na região do Centro, 15 no Norte, três no Sul e um no Alentejo.

Quanto às novas mortes (13), estas distribuem-se pelo Norte (seis), por Lisboa e Vale do Tejo (cinco) e pelo Centro (duas). A taxa de letalidade global do país é agora de 4,3%, aumentando para 16,9% no caso das pessoas acima dos 70 anos - as principais vítimas mortais. Dos 1369 óbitos totais, 48,9% são homens e 51,1% mulheres.

O boletim da DGS indica ainda que aguardam resultados laboratoriais 1310 pessoas e estão em vigilância pelas autoridades de saúde mais de 27 mil. O sintoma mais comum entre os infetados é a tosse (que afeta 40% dos doentes), seguida da febre (29%) e de dores musculares (21%).

Pelo menos cinco bairros sociais na Grande Lisboa têm casos de covid-19

Apesar do aumento do número de casos na região de Lisboa e Vale do Tejo, a diretora-geral da Saúde disse, em conferência de imprensa, que a situação é "estável", que os infetados são sobretudo pessoas jovens e saudáveis. As novas notificações concentram-se sobretudo nos municípios de Alenquer, Amadora, Barreiro, Loures, Odivelas, Seixal e Sintra. E estão relacionados com focos (como o que decorre na empresa sonae, na Azambuja, onde já há 175 infetados), com contágio esporádico ou comunitário, como o que está a acontecer em bairros sociais.

Além dos 32 casos confirmados pela DGS espalhados por três bairros no Seixal (só o da Jamaica e de Santa Marta, em Corroios, foram identificados), o DN sabe que há famílias infetadas no Bairro da Torre (Loures) e Alfredo Bensaúde (Olivais). Vivem em habitações precárias, algumas sem água ou luz, onde fazem a convalescença. Autoridades de saúde garantem estar a acompanhar a situação e a tomar medidas, num caso com o apoio da PSP, para que os focos não se alastrem.

Sobre a possibilidade de haver restrições ao confinamento específicas para a zona da Grande Lisboa, avançada pelo deputado do PSD Ricardo Baptista Leite, o secretário de estado da Saúde remeteu o assunto para o Conselho de Ministros.

65 doentes nos cuidados intensivos. Sem confinamento, estes teriam triplicado

Esta quinta-feira, estão hospitalizados 512 doentes (mais dois que ontem), sendo que destes 65 encontram-se nos cuidados intensivos (menos um). Este indicador tem sofrido uma redução constante, no último mês, em parte fruto das medidas de contenção aplicadas pelo país, de acordo com um estudo da Escola Nacional de Saúde Pública (ENSP), divulgado hoje.

"Sem o lockdown [confinamento] decretado pelo Governo em meados de março de 2020, as unidades de cuidados intensivos dos hospitais do Serviço Nacional de Saúde teriam tido que atender, entre 1 e 15 de abril, uma avalanche de 748 doentes graves com covid-19, três vezes mais do que os 229 que precisaram desse tipo de cuidados", pode ler-se na análise feita pela ENSP, da Universidade Nova de Lisboa.

Para os investigadores da ENSP, "nesse cenário, as 528 camas de cuidados intensivos de que o SNS dispunha na altura poderiam não ter sido suficientes para atender a todas as necessidades, como aconteceu em Itália e em Espanha".

357 mil mortes por covid em todo o mundo

O novo coronavírus já infetou mais de 5,8 milhões de pessoas no mundo inteiro, até esta quinta-feira às 10:08, segundo dados oficiais. Há agora 2,5 milhões recuperados e 357 807 mortes a registar (destes 175 mil aconteceram na Europa).

Os Estados Unidos da América são o país com a maior concentração de casos (1 745 911) e de mortes (102 114). Em termos de número de infetados, seguem-se o Brasil (414 661) e a Rússia (379 051). Portugal surge em 28.º lugar nesta tabela.

Quanto aos óbitos, depois dos Estados Unidos, o Reino Unido é a nação com mais mortes declaradas (37 460). Seguem-se Itália (33 072), e França (28 596).

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