Os alarmes já tinham – mais uma vez – soado no final de novembro, quando seis jovens perderam a vida num violento desastre automóvel, no centro de Lisboa. Na altura das festas, e como sempre, a PSP montou uma operação especial para garantir a segurança rodoviária, uma época conhecida pelo aumento da sinistralidade. Os números, revelados ontem, deviam colocar-nos a todos em alerta máximo: foram registadas 10 mortes, o dobro das que houve a lamentar em período homólogo, consequência de 2.499 acidentes (+11%) que deixaram ainda 36 feridos graves e 717 feridos ligeiros.Já não é a primeira vez que uso este espaço para escrever sobre o assunto, porque as tragédias têm-se sucedido e as autoridades são claras a identificar os três principais causadores dos acidentes automóveis: velocidade inadequada às condições existentes, consumo de algum tipo de substâncias intoxicantes (mais drogas do que álcool nas novas gerações) e, em primeiro lugar no pódio das causas de mortes nas estradas europeias: a condução desatenta. Ou seja, tudo variáveis controláveis pelos condutores que, inevitavelmente, se verão confrontados com fatores exógenos que podem também causar acidentes. Mas se as causas que mais acidentes provocam podem ser controladas por quem pega no volante, por que não conseguimos – contrariamente aos nossos pares europeus – combater este flagelo? Portugal é atualmente o sexto país da Europa com mais mortes na estrada e, a ter em conta, os últimos meses, a situação não tende a melhorar.A verdade é que os crimes na estrada não são, em Portugal, considerados verdadeiros crimes: as sentenças passam por multas – que, ao contrário de em países como a Suécia e Noruega, não são compulsórias nem elevadas, o que ajuda a dissuadir – ou penas suspensas. O que junta ao sentimento de impunidade uma espécie de promoção da inconsciência do perigo. E a verdade é que um carro é uma arma de cerca de 2 toneladas que, a partir dos 18 anos, qualquer pessoa com carta de condução é autorizada a utilizar. Se não tiver noção do que tem em mãos – e do que significa uma condução defensiva e atenta – facilmente se vê numa situação com consequências dramáticas e irreversíveis. Num país que se diz desenvolvido, não pode ser aceitável duplicarmos as mortes e aumentarmos os feridos graves nas estradas sem ter em vista uma ação musculada que ajude a resolver este flagelo: a literacia, a consciencialização e uma moldura legal que penalizem severamente os infratores são passos fundamentais para conseguir cumprir aquilo que era o lema da Autoridade Nacional de Segurança Rodoviária para a última campanha de 2025: “O melhor presente é estar presente”. Antes que, de facto, seja tarde. Como foi para mais de 600 pessoas no ano passado..Festas em Segurança. PSP regista mais acidentes rodoviários, mortos e feridos graves em comparação com 2024 .Os desastres estão sempre à espreita?