Já nos habituámos a que Trump seja um mentiroso compulsivo, quando dizia que a UE pouco tinha participado no apoio financeiro à Ucrânia, ao contrário dos EUA, quando explicava que Zelensky só era apoiado por 4% dos ucranianos, quando afirmava que o responsável pela guerra desencadeada por Putin era Joe Biden e quando garantia que acabava com o conflito em 48 horas.Pressionou Zelensky a render-se à Federação Russa em Fevereiro do ano passado, na indescritível reunião da Sala Oval.Se a Ucrânia não se rendeu foi, em larga medida, graças à resistência europeia.Depois, durante vários meses, ameaçou com sanções à Rússia, sanções essas que tardaram a ser decididas.Depois, realizou uma Cimeira no Alasca com Putin, sendo certo que, ainda hoje em dia, não se perceberam os verdadeiros contornos do que foi acordado entre os dois líderes.Depois, afirmou estar desiludido com Putin e admitiu ceder mísseis Tomahawk à Ucrânia para, após telefonema do seu amigo russo, mudar, de imediato, de ideias.Mais recentemente, e à margem do Direito Internacional, atacou a Venezuela, havendo muitos ingénuos que pensam que tal se destinou a libertar aquele país do jugo ditatorial de Maduro.Todavia, tem-se mostrado mais preocupado com a exploração do petróleo venezuelano por empresas americanas do que com o retorno desse país à democracia, mantendo negociações com os “herdeiros políticos” do sr. Maduro.Mostrou-se preocupado, isso sim, com o Prémio Nobel da Paz, escrevendo ao primeiro-ministro norueguês uma carta em que afirma “que não se sente mais obrigado a pensar na paz, uma vez que não recebeu o dito Prémio Nobel”, revelando uma “solidez moral edificante”.De seguida, explicou que as únicas regras a que se sente obrigado são as ditadas pela sua própria moral - que, conforme se constata é “sólida” -, não havendo qualquer Direito Internacional que o limite a ele e aos seus actos.Viria, ainda, a dizer, mais uma vez, que os EUA deveriam assumir o controlo soberano da Gronelândia, por aquisição ou, eventualmente, através de uma operação militar.Não contente com tudo isto, ameaçou os países europeus que se opusessem à conquista da Gronelândia com um aumento de tarifas.E quando lhe perguntaram sobre o futuro da NATO, disse que a mesma era mais importante para os europeus e que pensava que os mesmos nada fariam pelos EUA se fosse accionado o artigo 5.º do Tratado.Foi, de facto, um grande “azar de Trump”, porque a única vez em que o artigo 5.º foi accionado teve que ver com o Afeganistão (em decorrência do 11 de Setembro) e os europeus responderam à solicitação americana.E morreram muitas centenas de europeus (incluindo dois portugueses), sendo que os mesmos estiveram na linha da frente, ao contrário do afirmado por Trump, mentindo, como é seu hábito.Que o sr. Trump minta por mera ignorância - como, por exemplo, aconteceu quando disse que a Espanha era um BRIC -, ainda se poderá compreender, embora se lamente, mas que minta numa questão tão grave e de uma forma tão leviana como esta, ofendendo as Forças Armadas de países aliados, insinuando a sua cobardia e desvalorizando o esforço desenvolvido pelas mesmas, é algo que merece ser condenado.É passar-se da mentira para o insulto e, quando assim é, não existem razões diplomáticas que justifiquem que não se faça sentir a quem de direito que nos considerámos insultados.Nem mais, nem menos... Economista e professor universitárioEscreve sem aplicação do novo Acordo Ortográfico