Tóquio 2020. Sem público, mas com um grande legado Olímpico a honrar e uma nação a apoiar

Em março passado, a organização dos Jogos Olímpicos (JO) de Tóquio 2020 tinha já anunciado o "fecho de portas" ao público estrangeiro, sendo a decisão sobre a presença de público local nas bancadas, adiada para o final de junho, quando, conforme antecipado pelo presidente do comité organizador dos JO, e proposto pelo ministro japonês, se optou por permitir no máximo 10 mil espectadores nas competições olímpicas.

Agora, não tendo a pandemia de covid-19 tido evolução positiva ambicionada, o primeiro-ministro do país viu-se compelido a declarar estado de emergência em várias regiões, incluindo na capital, Tóquio, que recebe os Jogos Olímpicos.

Não terá sido também alheio o facto que, de acordo com diversas sondagens citadas pela agência Reuters, a maioria dos japoneses demonstraram estar receosos com a possibilidade de uma grande afluência de espectadores estrangeiros ao país para assistir aos Jogos.

Com o novo anúncio, nem os espectadores japoneses poderão estar presentes, o que é um facto inédito na História Olímpica.

Os cerca de 11 mil atletas esperados em Tóquio, além de terem de lidar com a constante incerteza e difícil programação desportiva para uma competição desta exigência, não vão ter a total experiência Olímpica. Não vão ter o apoio e incentivo que merecem. Não vão ter a força humana exterior que muito contribui para que se excedam ainda mais, superando todos os seus desempenhos anteriores, que resultam em recordes olímpicos e mundiais.

Este infortúnio é menos penoso, em todos os sentidos, que a anulação ou um novo adiamento que alguns vaticinavam.

O desporto vive para os Jogos Olímpicos e a sua não organização seria catastrófica já que este evento configura o principal eixo de planeamento da generalidade das organizações desportivas e constitui a pedra basilar, onde assenta a sustentabilidade e desenvolvimento de grande parte da indústria desportiva global.

Em conjunto com a suspensão das atividades desportivas e das restrições sanitárias impostas nos últimos tempos, isto teria um profundo e muito doloroso impacto na gestão de todos os projetos desportivos, quer ao nível federativo, quer ao nível dos clubes, quer ainda mais importante, ao nível dos atletas.

Entendemos que os Jogos não serão os mesmos sem o público, mas seu impacto é muito forte e vai muito para além da cidade e do país organizador.

A Federação Equestre Portuguesa naturalmente respeita a decisão, e apoia-a no interesse de uns Jogos seguros para todos. Ao mesmo tempo, lamenta profundamente pelos atletas e pelos espectadores, que esta medida tenha de ser posta em marcha, mas, como frisou o nosso Presidente da República, serão os jogos da Esperança e os nossos Atletas serão os portadores dessa mesma Esperança.

A competição está marcada para entre os dias 23 de julho e 8 de agosto. Alguns dos nossos atletas já estão em terras nipónicas para elevar, ainda mais, o nome e o legado de Portugal.

Do nosso lado estamos muito esperançados e confiantes que as nossas amazonas e cavaleiros honrarão todo o nosso legado Olímpico, que começou com a conquista da primeira medalha Olímpica para Portugal, em Paris 1924.

Viva o espírito Olímpico,

Viva Portugal.

Presidente da Federação Equestre Portuguesa

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