Sei o que fizeram nos governos passados

PS e PSD foram alternando no poder, durante várias décadas. Para estes partidos, os debates parlamentares tornaram-se algo rotineiro, como um ritual em piloto automático. Consomem o tempo, a energia e a paciência dos portugueses a trocar acusações, olhando sempre para o passado, apontando o dedo um ao outro. Em circuito cada vez mais fechado.

Com estas discussões estéreis em que se envolvem, vão perdendo oportunidades para discutir os verdadeiros problemas do País e para colocarem Portugal no rumo do progresso. Amarram-se ao passado, ficam presos a polémicas que há muito perderam prazo de validade.

Esta troca de acusações beneficia sobretudo o PS, ao criar a ilusão de partilha de responsabilidades em bases iguais. Como se não fosse este partido o que mais se destacou na desgovernação das últimas décadas. Como se não tivesse ocupado o poder em 20 dos últimos 27 anos. Como se este quarto de século de estagnação, vendo os nossos parceiros europeus a superar-nos a uma velocidade cada vez maior, não tivesse a assinatura de António Guterres, José Sócrates e António Costa.

Foram os socialistas que, em 2011, assinaram o Memorando PS que trouxe a troika composta pelo Fundo Monetário Internacional, pelo Banco Central Europeu e pela Comissão Europeia quando já faltava dinheiro para pagar salários e pensões. Mas tentam apagar esta página negra do seu cadastro governativo, como se nunca tivesse existido. Cá estaremos para recordar-lhes isso sempre que for necessário.

É verdade que, em pontos essenciais, PS e PSD apresentam muitas semelhanças.

É verdade que, em pontos essenciais, PS e PSD apresentam muitas semelhanças. Ambos aumentaram impostos. Ambos não hesitam em colocar o cartão do partido acima da avaliação de mérito. Ambos ampliaram a máquina do Estado até se tornar um monstro burocrático e disfuncional.

Neste quase meio século, o sistema político português girou em torno destas duas siglas. Mas é um bipartidarismo imperfeito, com preocupante tendência para o reforço da hegemonia socialista, que hoje repete com António Costa a maioria absoluta que teve com Sócrates, de péssima memória.

A democracia portuguesa enfrenta o espectro da mexicanização, tendo como peça dominante um partido hegemónico que usa a Administração Pública com a lógica de um velho senhor feudal.

Um cenário que a Iniciativa Liberal recusa em toda a linha, com a sua energia reformista.

Para diminuir o peso do Estado na nossa vida quotidiana, libertar a sociedade e proporcionar verdadeiras opções de escolha aos portugueses em áreas fundamentais como a Saúde, a Educação e a Segurança Social.

Para que o dever cívico de votar implique verdadeiras opções de fundo e não apenas o cumprimento de um ritual com falsas alternativas, em que algo parece mudar à superfície para tudo afinal permanecer na mesma.

No 25 de Abril, ao ser derrubado um regime ditatorial que usava o Estado como instrumento repressivo, houve três palavras que ficaram célebres: Democratizar, Descolonizar e Desenvolver. A Iniciativa Liberal propõe hoje três outras, começadas pela mesma letra: Desestatizar, Descentralizar, Desburocratizar. Porque não haverá verdadeiro desenvolvimento neste País sem estas novas palavras de ordem que funcionam como lema do nosso impulso reformista.

Não nos conformamos com a estagnação económica. Não toleramos ver Portugal na cauda da Europa. Não admitimos ver o elevador social permanentemente avariado. Não nos resignamos ao perceber como o desenvolvimento prometido em 1974 se transformou num sonho que continua por concretizar. Este é um combate que urge ser travado. Cá estaremos, na primeira linha.

Deputado Iniciativa Liberal.
Escreve de acordo com a antiga ortografia

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