Chegámos ao fim do verão. O ano letivo está a começar e são mais de 50 000 os jovens que ingressaram no Ensino Superior, só pelo Concurso Nacional de Acesso. As outras vias de acesso e, nomeadamente, os Cursos Técnicos Superiores Profissionais, garantem mais uns milhares. Com os números a crescer de ano para ano, podemos afirmar que a mensagem que "estudar compensa" vai-se consolidando e garantindo que os nossos indicadores comparativos com o resto da Europa vão melhorando. É o sinal inequívoco de que a estratégia seguida pelos governos de António Costa está certa, nomeadamente com a descentralização da formação feita pelos Politécnicos, que levam o ensino a quem não pode vir ao encontro deste nas geografias habituais. Apesar dos excelentes números, não nos podemos esquecer que representam cerca de metade dos jovens em condições de aceder ao Ensino Superior. Os outros, ou não encontraram uma opção que os convencesse a estudar, ou nem tentaram prosseguir estudos..São estes que nos devem merecer uma preocupação acrescida e um acompanhamento do que pretendem fazer com o seu futuro. Muitas são as empresas que procuram desesperadamente por mão de obra que não encontram e se, em muitos casos, essa falta fica a dever-se à incapacidade do Sistema de Ensino Superior para produzir mais, noutros casos a procura é por gente qualificada pelo Ensino Secundário Profissional (ou mesmo pelo das vias científico-humanistas). Importa, pois, perceber as opções destes jovens e as suas causas..A título de exemplo veja-se o caso do setor do turismo, onde a hotelaria e a restauração estão disponíveis para recrutar, quer no nível profissional, quer no nível superior. Neste verão conseguimos percecionar que o setor recrutou fundamentalmente estrangeiros, na sua maioria sem formação. Conhecendo nós o excelente trabalho que se faz no nível do Ensino Profissional, nomeadamente nas Escolas de Hotelaria do Turismo de Portugal, mas também em muitas Escolas Superiores, a pergunta que se impõe é onde estão estes jovens..Portugal continua a perder, todos os anos, mão de obra de excelente qualidade para outros mercados, com destaque para os países da União Europeia, por razões que, estando identificadas, precisam de soluções que devem partir dos empregadores. Em Portugal os salários são baixos e em alguns setores as condições de trabalho pouco atrativas. É preciso parar para pensar e perceber como inverter esta tendência de formarmos gente que nos custa muito dinheiro, para depois não devolver o investimento em si feito. A emigração pode não ser hoje uma obrigação..., mas é cada vez mais uma opção na procura de vidas melhores. É cada vez mais uma opção para criar autonomia e sair cedo de casa dos pais..Quase todos os anos há quem estude razões para tal. A Fundação Francisco Manuel dos Santos publicou, há precisamente um ano, um trabalho de investigação académica sobre as baixas qualificações académicas dos gestores portugueses e a sua relação com a baixa produtividade. Portugal pode ser um País de PME, mas não precisa ser um País de baixa produtividade. Da mesma forma que sabemos formar excelentes trabalhadores que fazem sucesso por esse mundo fora, saibamos tornar o emprego atrativo para os conservarmos em Portugal e ajudarem as nossas empresas a produzir mais e melhor..Presidente do Instituto Politécnico de Coimbra