Resposta da Embaixada da Índia a provincial jesuíta: Uma república soberana, secular e democrática

Exmo. Sr. padre Miguel Almeida,

Namaste!

Em nome de Sua Excelência o embaixador designado da Índia em Portugal, Manish Chauhan, gostaria de começar por lhe agradecer as cordiais boas-vindas. O embaixador designado chegou a Portugal em meados de janeiro e, como ele próprio gosta de realçar, já teve a oportunidade, em diversas instâncias, de experienciar em primeira mão o internacionalmente conhecido e elogiado afeto do povo português, encontrando inclusive similitudes com o povo indiano, ambos cheios de alma, donos de uma rara individualidade, conscientes das suas características únicas e sempre prontos a receber o próximo como um amigo em sua casa - independentemente das suas origens ou credos.

Em nome do Governo e do povo indiano, gostaria igualmente de lhe agradecer as felicitações pelo 72.º Dia da República da Índia. Como tão bem refere, este dia celebra a entrada em vigor da Constituição da Índia, depois de devidamente aprovada e adotada pela Assembleia Constituinte, estabelecendo um sistema democrático de governação. Como consta do seu preâmbulo, a Índia é uma república soberana, secular e democrática. Os valores nela enaltecidos - justiça, liberdade, igualdade e fraternidade - são sagrados para todos os cidadãos indianos, que sabem poder contar com as múltiplas instituições democráticas na defesa e na promoção dos seus direitos.

Tal como Portugal, a Índia é um Estado soberano e democrático, baseado no Estado de direito e num sistema judicial independente. A Constituição garante a igualdade a todos os cidadãos da Índia. Enquanto democracia, temos um historial de atuação isenta da justiça, devidamente testado pelo tempo e acessível a todos os setores da nossa sociedade. O povo indiano tem livre acesso a um processo judicial justo e transparente, tal como estabelecido na Constituição.

Mantenhamos a nossa crença nestes mesmos princípios da democracia constitucional que os nossos dois países tanto prezam e deixemos que o processo jurídico previsto siga o seu curso. Este é, como refere, um ano extraordinariamente importante no relacionamento entre a Índia e Portugal, com a Cimeira União Europeia-Índia, a ter lugar durante a presidência portuguesa do Conselho da União Europeia. A organização de tal encontro será o resultado de uma união de esforços, "para que prevaleça a visão de um mundo mais seguro, assente na prosperidade partilhada e na defesa da democracia".

Agora que os nossos dois países se preparam conjuntamente para uma viagem auspiciosa e intensa, norteados por objetivos comuns, a Embaixada espera vir a ter a oportunidade de aprofundar o diálogo com V. Exa., atendendo a que partilhamos os mesmos valores e princípios nucleares. Convido-o, portanto, a juntar-se a nós no reforço dos já fortes e bem enraizados laços entre Portugal e a Índia.
Melhores cumprimentos.


Terceiro-secretário e adido de imprensa da Embaixada da Índia em Lisboa.
(O artigo de Miguel Almeida intitulado Carta aberta ao embaixador da Índia em Portugal: Celebrar a Constituição, defender os direitos humanos foi publicada a 26 de janeiro e pode ser lida AQUI)

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