Enquanto a agressão e a política genocida do governo israelita impõem ao povo palestiniano um drama de proporções inimagináveis, a União Europeia (UE) faz uma opção cúmplice de silêncio e inacção, assobiando para o lado como se nada se passasse.As acções e decisões do governo israelita nos últimos meses tornam estas opções e posições políticas de cumplicidade da UE ainda mais evidentes e cada vez mais insustentáveis (no sentido de serem cada vez mais difíceis de sustentar para quem as toma ou defende).Já estava à vista do mundo inteiro que não houve, nem há, nenhum cessar-fogo em Gaza. Israel continuou a bombardear populações civis na Faixa de Gaza, gerindo o calendário da agressão militar em função da sua conveniência e do desvio das atenções mediáticas internacionais para outros pontos do globo, designadamente em função de desenvolvimentos impostos pela ofensiva agressiva dos EUA.Israel tinha também já declarado que “irá impor” a interdição das actividades operacionais de 37 Organizações Não-Governamentais (ONG) que operam na Faixa de Gaza, forçando estas a cessar as suas actividades até 1 de Março. As Nações Unidas sublinharam que, a concretizar-se, esta intenção de Israel irá agravar a já dramática situação humanitária no território de Gaza e clamaram pelo cumprimento, por Israel, das obrigações que resultam do Direito Internacional neste âmbito.Ignorando tais apelos, Israel anunciou a 1 de Fevereiro a interdição das operações da organização Médicos Sem Fronteiras (MSF) na Faixa de Gaza.Além disso, depois de ter interditado a actuação da Agência das Nações Unidas de Assistência aos Refugiados da Palestina no Próximo Oriente (UNRWA) em Jerusalém Oriental, o governo israelita avançou recentemente com a destruição das suas instalações e o corte do fornecimento de água e energia elétrica.Da UE continua a não se ouvir uma palavra de condenação, de exigência de respeito pelo Direito Internacional, pelos Direitos Humanos e pelos direitos nacionais do povo palestiniano. Nem um “zumbido” a propósito da possibilidade de suspensão do Acordo de Associação UE/Israel. Nada.O Parlamento Europeu, tão célere a clamar contra a pretensa violação de Direitos Humanos quando estão em causa situações de conveniência da UE por razões geoestratégicas, recusa sequer debater o drama que se vive na Palestina. Naturalmente, é pelas mesmas razões geoestratégicas que impõe esse silêncio, enquanto o povo palestiniano é massacrado às mãos de Israel.Enquanto a UE assobia para o lado, a sua hipocrisia e dualidade de critérios tornam-se politicamente demolidoras. Elas arrasam a credibilidade das proclamações sobre Direitos Humanos e respeito pelo Direito Internacional com que os responsáveis da UE enchem os seus discursos. O pior é que não é só a credibilidade política dessas afirmações que se esvai. São também as vidas dos homens, mulheres e crianças palestinianas sacrificadas e os direitos de todo um povo desprezados a cada dia que passa que ficarão a pesar na responsabilidade de quem, pelo silêncio, se torna cúmplice. EurodeputadoEscreve sem aplicação do novo Acordo Ortográfico