Todos reconhecemos no Marquês de Pombal o governante que comandou, de forma notável, as operações de socorro e a reconstrução de Lisboa, depois do Grande Terramoto de 1755.A ação que conduziu está eternizada na maior das estátuas portuguesas, na Rotunda. O imponente monumento, coroado pelo bronze da sua imagem ladeada por um leão, simboliza força e serenidade.O projeto para a sua edificação era uma ideia antiga que nascera em 1882, mas que só em 1934 viria a terminar. Os atrasos da obra resultaram de múltiplas contrariedades, sobretudo devidas à insuficiência dos fundos provenientes de subscrição nacional. Curiosamente, Salazar não compareceu à cerimónia oficial de inauguração.Os 271 anos que nos separam da tragédia não desfocam o acerto das sucessivas medidas então tomadas, inovadoras para a altura, implementadas logo depois do abalo sísmico, seguido pelos incêndios e pelo tsunami que arrasaram Lisboa.“Cuidar dos vivos e enterrar os mortos”, a famosa expressão atribuída ao secretário de Estado Sebastião José de Carvalho e Melo (o futuro Marquês de Pombal), traduz a sua preocupação em reduzir o sofrimento, mas também em impedir o agravamento da situação social e de saúde dos lisboetas. Nesse sentido, no próprio dia 1 de novembro foram distribuídos mantimentos à população da cidade. Não houve fome, nem eclodiram epidemias.Os militares dos Regimentos de Infantaria de Peniche, Elvas e Olivença, bem como os Dragões de Évora, foram mobilizados para apoiar a segurança pública e participar na remoção de escombros e desobstrução das vias de circulação.O processo de reconstrução foi, igualmente, exemplar pela marca de modernização alcançada para a época. Para tal, Sebastião José rodeou-se dos melhores engenheiros e arquitetos. Consultou todos. Ouviu pareceres técnicos de peritos qualificados. Até solicitou a opinião do médico português Ribeiro Sanches, então exilado em Paris.Privilegiou as propostas de engenheiros militares, nomeadamente os planos urbanísticos do general Manuel da Maia, do coronel Carlos Mardel e do capitão Eugénio dos Santos. As casas edificadas passaram a ter um “esqueleto” em madeira como estrutura antissísmica (as célebres gaiolas) e servidas por redes prediais de esgotos.Hoje, os especialistas em gestão de catástrofes, a nível mundial, admitem que o Terramoto de Lisboa terá sido o primeiro desastre natural em que o Estado assegurou respostas de emergência pela mobilização imediata de todos os meios disponíveis, incluindo militares. Foi o começo da Proteção Civil, como instituição do Estado.Foram 271 anos para “aprendizagem coletiva”! Ex-diretor-geral da Saúdefranciscogeorge@icloud.com