Labour, SPD e PS francês: recordes só pela negativa

O que têm em comum o Partido Trabalhista britânico, o SPD alemão e o PSF? Tirando o óbvio de pertencerem todos à mesma família política de centro-esquerda europeia - em que trabalhismo, socialismo e social-democracia se misturam na bamcada prlamentarv em Estrasburgo -, aquilo que os une nos últimos anos é a derrocada eleitoral a permitir títulos bombásticos aos jornais: "O pior resultado trabalhista desde 1935 nas legislativas britânicas", "candidato socialista falha passagem à segunda volta das presidenciais", "SPD com menos votos do que os verdes nas eleições europeias".

Há outro ponto em comum nestes três partidos, os tradicionais gigantes do centro-esquerda na Europa: a escolha nos últimos tempos de líderes muito mais à esquerda do que o seu eleitorado, como Jeremy Corbyn no Labour, pela segunda vez derrotado nas legislativas britânicas e que embora sem se demitir já disse que não tentará uma terceira vez chegar a primeiro-ministro. Também em França a derrocada socialista começou com a escolha de Benoît Hamon como candidato presidencial em 2017, que não chegou a 7% dos votos quando cinco anos antes François Hollande tinha com a mesma etiqueta política conquistado o Eliseu. E na Alemanha, o SPD, que soma sucessivos maus resultados, como os 20% nas legislativas de 2017 (com Martin Schulz) e os 15% nas europeias deste ano, decidiu agora apostar numa dupla de líderes que vem da ala mais à esquerda.

Corbyn perdeu porque como eurocético de sempre deixou-se surpreender pela forte divisão nas fileiras trabalhistas causada pelo Brexit e não percebeu que um programa demasiado à esquerda não era a melhor forma de potenciar um partido que ganhou três vezes sucessivas com o centrista Tony Blair. Por seu lado, Hamon, muitas vezes visto como um Corbyn francês, foi impotente para travar a adesão do eleitorado socialista ao liberalismo de Emmanuel Macron, um fenómeno por si só. E, sem capacidade para verem os erros em redor, os alemães Norbert Walter-Borjans e Saskia Esken erguem agora como a sua principal bandeira a rejeição da reforma laboral deixada por Gerhard Schröder, o último chanceler social-democrata, quando o partido ainda era capaz de obter 38% dos votos e não ser uma mera sombra da CDU de Angela Merkel.

Tirando o PSF, estes gigantes não parecem ameaçados de imitar o destino trágico dos socialistas gregos, a chamada pasokização (atenção, em votos o Labour teve 32%, com o sistema eleitoral a protegê-lo de derrocada maior). Mas há lições a tirar dos recordes negativos: líderes escolhidos em primárias (não foi o caso de Schulz) talvez não seja a melhor opção na cena política europeia e certamente não ajuda num cenário de crise do centro-esquerda (sete primeiros-ministros nos 28 países da UE). É que as bases estão a escolher personalidades incapazes de cativar nas urnas um eleitorado mais vasto.

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