O tique autoritário que Trump não consegue disfarçar

Com milhões de votos ainda por contar, o presidente dos Estados Unidos achou por bem proclamar que a vitória é sua, que o processo eleitoral deve parar e que se a sua reeleição for contrariada recorrerá para a justiça. É grave, mesmo que a democracia americana tenha certamente mecanismos para travar um líder com tiques autoritários como Donald Trump.

E é grave igualmente porque nem sequer, neste momento em que escrevo (madrugada em boa parte dos Estados Unidos e meio-dia em Portugal), é certa a derrota do republicano Trump. Nos estados do chamado Midwest (Wisconsin, Michigan e Pensilvânia), o democrata Joe Biden está a revelar mais dificuldades do que aquilo para que apontavam as sondagens. Ou seja, o resultado em termos de Colégio Eleitoral, que é o que conta, está em aberto, apesar de o presidente falar de fraude.

Trump cede assim à pressão da possível derrota, algo que quatro anos na Casa Branca deveriam ter evitado, pois finalmente deixou de ser um novato na política, como era em 2016. É o primeiro presidente dos Estados Unidos, em quase mais de dois séculos e meio de história, sem experiência política ou de comando militar. Mas muita experiência como homem de negócios, e do quero, posso e mando.

Não admira que mesmo vozes republicanas tenham criticado o discurso do presidente, tão óbvio foi o quebrar de regras e tão evidente foi a diferença para a mensagem sensata de Biden, que se limitou a dizer que até ao último voto a eleição continua (ele que tal como Hillary Clinton em 2016 deverá ganhar no voto popular).

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