Compras de Natal 

O bulício habitual já de si é pesado. Trânsito compacto logo cedo pela manhã, o para-arranca do escoar-se a cidade ao fim do dia, os comboios e o metro cheios de gente, os solavancos lentos dos autocarros - um movimento intenso, permanente, que atordoa. Mas à aproximação do Natal - e antes disso os saldos e as promoções, mais a Black Friday que se eterniza num fim de semana - parece que tudo ganha ainda mais velocidade, numa vertigem de compras que chega sem aviso e se instala, senhora dos nossos dias.

Sem pensar muito, com uma inquietação que nem se sabe ao certo de onde vem, as pessoas lançam-se numa campanha intensiva de compras, invadindo lojas e centros comerciais como se não houvesse amanhã, em grande agitação e vozearia. E nem sequer me excluo: confesso que é muito difícil ficar de fora.

É assim todos os natais, apesar de a cada novo ano prometer a mim mesma que para a próxima vai ser diferente, e de todos os esforços para cumprir a promessa. Houve alturas em que consegui, como aquela em que, um mês antes, me atirei na cozinha a fazer doces e compotas e a escaldar frascos e, com os miúdos, fizemos uns rótulos todos giros, para darmos prendas diferentes, feitas por nós, a toda a família. Não foi só dessa vez. Entre a família e os amigos temos multiplicado ideias para nos oferecermos nesta altura coisas diferentes e significativas, que são o símbolo da alegria e da celebração de estarmos de novo juntos, em mais um Natal. Tem sido também um antídoto para a fúria consumista que, além do mais, não é sequer sustentável, como sabemos há muito.

Em tempo de COP, com belos discursos em Madrid, em tempo de nova consciência e de greves estundantis planetárias a exigir políticas de viragem na produção energética, na utilização dos recursos (finitos) da Terra e na distribuição mais equitativa da riqueza, para erradicar a pobreza e salvar o futuro, há coisas que afinal estão sobretudo nas nossas mãos. Consumir menos, de forma mais razoável e sustentável, é uma delas. Porque não aproveitar as compras de Natal e começar já?

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