Vacina: para salvarmos a economia, covid vai ter de acelerar ainda mais

Finalmente a vacina e um plano. A solução para os grupos de maior risco está a meia dúzia de meses de distância. Mas há a outra grande consequência: a pandemia económica. Ora, só conseguiremos lutar contra ela se fizermos regressar a vida a uma certa normalidade. Como fazê-lo sem contágios exponenciais? Sabemos que não vamos impedir significativamente a propagação da doença até, pelo menos, meados da Primavera. Seremos capazes de suportar milhares de casos diários como se de uma doença normal se tratasse?

A partir da vacina vai ser desfeita a grande questão que bloqueou a sociedade - a defesa da vida dos mais vulneráveis. Sendo verdade que mais de 98% dos infetados resolve o problema em casa e menos de 0,3 por cento necessita de cuidados intensivos, contrair a covid será uma circunstância possível/provável. Ora, se já não existe este libelo social da proteção dos mais vulneráveis, para quê bloquear a economia?

A partir de janeiro, a tensão social vai agudizar-se ainda mais se o Governo mantiver confinamentos, mesmo que seletivos/regionais ou de fim-de-semana. Em paralelo, sabemos que a vacina só será integralmente ministrada ao primeiro grupo de risco entre janeiro e abril. O segundo grupo talvez termine até ao Verão. Portanto, por alturas de Fevereiro, a questão será esta: devem os grupos mais vulneráveis fazer um confinamento especial e voluntário até lhes ser ministrada a vacina e evitar muito mais vítimas? Ou as suas mortes devem ser prevenidas, seja qual for o custo, por toda a sociedade?

A economia só tem uma saída: retomar o seu ritmo. Muitas empresas e trabalhadores definham sem poderem esperar muitas mais semanas sem trabalho e salários. O mesmo se diga do Estado, cuja dívida recorde trará, mais tarde ou mais cedo, um preço bem alto a contribuintes e empresas.

Há uma bomba-relógio social prestes a explodir se continuarem apertos indefinidos e pouco eficazes. Basta ver os restaurantes, o turismo, a cultura, mas igualmente muitas empresas onde a paralisação não se resolve com lay-offs.

Chegaremos em fevereiro ao momento mais exigente da nossa convivência social: nem teremos a economia ainda a funcionar, nem vacina para a população ativa, nem os grupos de risco ainda protegidos, e provavelmente com uma terceira onda fruto do Natal e de uma desejada retoma económica.

Só com muita inteligência seremos capazes de viver com maior liberdade e menos contágio. Os últimos meses provam que isso é praticamente impossível sem restrições, sobretudo em comunidades de trabalho industrial e menor recurso ao teletrabalho (no Norte, por exemplo).

Recuperar rapidamente a economia significa esta escolha. Viver-se com mais risco covid. Talvez muito menos mortes na Primavera, mas talvez ainda mais casos que hoje, ou seja, um SNS de novo esmagado com os novos casos agudos da população ativa. É possível? Aceitável?

A crise económica tem uma saída: liberdade e produtividade. Protegidos os grupos de risco em primeiro lugar, chegará a hora de cada um tomar a vacina e atirar a covid-19 para trás das costas. O milagre da ciência que desejamos, aconteceu. O coronavírus vai ser derrotado. Só falta mesmo o mais difícil: não nos destruirmos a nós próprios, como sempre aconteceu.

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