O Pai Natal não é real, mas poderá vir a ser!

Caminhamos para um mundo de irrealidades.

Se serão boas ou más, apenas o futuro nos dirá.

Há irrealidades boas, como as que contamos aos miúdos no Natal, sobre o gordo que desce pela chaminé vestido de vermelho ou sobre a fada que troca dentes caídos por moedas a meio da noite.

As imagens que vemos podem já não ser imagens da realidade. E não, não falo de Photoshop"s e afins. Falo das possibilidades de construir um mundo todo ele irreal sem o recurso às imagens do mundo que podemos fotografar, filmar ou representar.

Há vários exemplos na história de tentativas de construção de um mundo irreal, mas essa manipulação teve origem em acontecimentos reais, pelo menos até agora.

Veja -se o que fez Estaline quando decidiu apagar Trotsky das fotografias em que aparecia ao lado de Lenine. Mas para quê dar-se ao trabalho?

A resposta é evidente: apagando-se as imagens, apaga-se a história, apagando-se as imagens, apaga-se a memória, porque nós lembramos o que vemos. Melhor, nós acreditamos no que vemos!

E até quando o que vemos será verdade?

Não falta muito!

As possibilidades de construção de uma ficção-real são cada vez mais presentes. Não que isso seja uma coisa negativa. Negativa é a possibilidade de não nos ser possível distinguir o mundo real do mundo fabricado.

Corremos o risco de viver entre utopias e distopias, de viver num purgatório ficcional que nos faz viajar entre lugares e estados imaginados. E para isto está, e vai ainda mais, contribuir a inteligência artificial. Melhor, a inteligência artificial poderá ser o mediador, poderá ser a nossa ferramenta de controle.

Se o Google já adivinha o que vamos procurar e se o meu iPhone já me sugere como completar as palavras, o mundo composto por uma realidade virtual plena de imagens está também em prospecção.

O mundo das imagens sintéticas está já aí! A síntese de imagens é o processo de criar novas imagens a partir de alguma forma de descrição das próprias, de modo em que o encadeamento de determinadas imagens, estas possam "sugerir" novas criando assim vídeos completamente... irreais!

Estes tempos estão à porta, e vale a pena escrever para deixar registado, que houve em tempos um software pioneiro chamado Photoshop que era o manipulador por excelência.
Ah... belos tempos!

Belos tempos registávamos o exacto momento com uma Polaroid, o víamos de novo logo a seguir!

Belos tempos em as imagens que víamos eram realmente captadas com uma Super 8 da Kodak ou da Canon e que faziam as delícias do mundo real em repeat na televisão lá de casa.

Belos tempos, sim.

Mas... e nos tempos futuros?

Como serão as imagens?

Designer. Director do IADE - Faculdade de Design, Tecnologia e Comunicação da Universidade Europeia

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