A tribo do grunge. Mas... e as outras?

Vieram pela primeira vez em 1996, quando a música grunge era a música do momento. Vieram 2 anos após a morte do que se viria a transformar no grande ídolo grunge: Kurt Cobain.

E desde então, Eddie Vedder, esteve em Portugal por 11 ocasiões, a maior parte com a banda que lidera, mas também a solo. E eu... falhei 2 vezes (3 no máximo, vá...)

Ontem foi um desses dias. A solo! E a paisagem parecia um recorte fotográfico dos anos 90: calças coçadas, t-shirts desarranjadas, botas e obviamente as camisas com padrões aos quadrados. Estávamos lá todos. Todos!

Não só quem ouvia, e continua a ouvir Pearl Jam, mas também quem é fã das sonoridades grunge: Stone Temple Pilots, Soundgarden e Nirvana claro.

Nós estávamos lá. A tribo!

Alguns ainda de cabelos compridos, desalinhados, atados ou espigados. Outros mais arranjados, mas percebia-se pelo olhar, pela forma de estar. Percebia-se. Não me perguntem, mas percebia-se.

Mas estava também a outra tribo. Aquela que não ouve nem sente a música. Não percebe nem se envolve com o espaço. Aquela que vê através do vidro do telemóvel.

Aquela que arqueia os braços no ar e grava fundos pretos com circulozinhos brancos, isto se as luzes do palco estiverem ligadas. Porque sem luzes... não há circulozinhos!

Estava lá a tribo que cantou o "society" ou o "immortality" através do smartphone, a tribo que precisa de ser socialmente aceite. Ou será digitalmente aceite?

Estava lá a tribo que passou mais tempo a esquivar-se do segurança para poder gravar ou fotografar do que propriamente a ouvir. A ver. A sentir.

Sei que o mundo se digitalizou, e sei também que são as nossas personas das redes sociais que queremos que sejam aceites. Será caso para dizer que hoje, somos mais personas, que pessoas? Talvez.

Sei também que há por aí muita gente que é content creator, instagrammer, social media specialist, ou what ever... e que ganham os seus ordenados a partir das redes. Mas... serão assim tantos?

Os grunges, os góticos, os metaleiros, os betinhos... quase que desapareceram. Fruto da globalização provavelmente... facto é que essas tribos, ou outras, fazem-nos falta. Pelo menos a mim fazem. Ou será só a mim que estou a entrar na crise de meia idade, armado em saudosista?

Designer

Director do IADE - Faculdade de Design, Tecnologia e Comunicação da Universidade Europeia