Afinal, o SNS vale o que pagamos

O estudo sobre a sustentabilidade do Serviço Nacional de Saúde (SNS), realizado pela universidade Nova e que será apresentado hoje na sétima conferência AbbVie/TSF/DN, dá-nos uma imagem bem diferente daquela a que estamos habituados ou a que nos fomos acostumando pela insistência da luta política dos últimos muitos anos - aqui não há inocentes.

Para lá de uma melhoria no índice de sustentabilidade, algo de que nem sequer suspeitaríamos se só ouvíssemos o discurso político sobre o tema, o responsável pelo estudo destaca o contributo do SNS para a economia. São 5,5 mil milhões de euros de ganho, entre poupança com faltas ao trabalho evitadas pelos cuidados de saúde prestados pelo Estado e o retorno económico desses cidadãos que, não tendo ficado doentes em casa, foram trabalhar, produziram, receberam um pagamento por esse trabalho e gastaram parte em bens de consumo. Explicado assim, em economês de grau zero, parece simples, mas o facto é que estamos muito mais habituados a ouvir falar do que o SNS nos custa, a todos enquanto contribuintes, e também do que o serviço faz menos bem ou onde tem falhas graves. A espaços também vamos ouvindo que este é um sistema insustentável, que representa um fardo financeiro excessivo para o país, que consome recursos que seriam mais bem aplicados noutras áreas e, por último, que estaríamos todos muito melhor com uma passagem mais decidida destas responsabilidades para a esfera privada.

5,5 mil milhões é, para que se tenha noção da grandeza, cerca de metade do orçamento do Estado para a saúde, para o SNS. Dito de outra forma, o SNS consegue "devolver" ao país, à economia, metade do que absorve em dinheiro público, dos contribuintes. Será assim um negócio tão mau como nos tem sido vendido? Não me parece. Obviamente que não estamos a falar de lucros, de dinheiro vivo, de receitas do SNS. Mas a conclusão deste estudo regista algo que é igualmente mensurável: os efeitos positivos para a economia, para o país, de um sistema que, apesar de todas as limitações e defeitos, garante melhor saúde aos seus utentes. Assegura, pelo menos, condições para que sejam mais produtivos. Outro ponto de dissonância deste estudo com o discurso político sobre o SNS passa pela avaliação do sistema por quem o usa. Apesar de uma descida ligeira no índice de satisfação em relação ao ano passado, dois terços dos utentes estão satisfeitos com o SNS. Não me parece mal para um sistema tão diabolizado. Talvez seja porque quem o critica, do alto do palco político, pouco ou nada o usa.

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