Estas eleições presidenciais expressaram, em primeiro lugar, uma mudança de ciclo político no país.Desde logo pelos candidatos que passaram à segunda volta. Por razões diferentes, representaram uma rutura com o status quo vigente. Um, porque se impôs pelo seu mérito próprio e espírito de perseverança, contra tudo e contra todos. Outro, porque assumiu claramente um projeto de subversão das regras e consensos instalados. Por outro lado, ambos representam também, de diferentes maneiras, ruturas geracionais em relação ao conjunto de intervenientes políticos que vêm de antes do 25 de abril. Qualquer que fosse o resultado, esta circunstância objetiva de mudança de ciclo político iria determinar o comportamento do vencedor. Com a eleição de António José Seguro, o caminho será particular, mas não deixará de ser condicionado pela necessidade objetiva que o país tem de olhar para o futuro de forma diferente do que tem feito até aqui. A própria alteração radical do quadro geoeconómico e geopolítico global irá impor-se com a força da realidade— como ela é e não como desejaríamos que fosse —, e obrigará a opções de natureza estratégica que que têm sido adiadas há mais de duas décadas.Portugal necessita de pensar a longo prazo e reintroduzir na governação e no relacionamento institucional o vetor estratégico na definição de objetivos e de políticas económicas. Não pode abandonar-se às forças que impulsionam o curto prazo e aceitar, simplesmente, o lugar que as dinâmicas que não controla lhe impõem. Necessita de pensar na sua própria existência como país e afirmar-se na Europa e no Mundo, de acordo com a História e a cultura em que se formou. Portugal necessita de repensar o seu modelo económico, de fixar objetivos estruturais, de ter coerência intertemporal de políticas. E assegurar resiliência sistémica, inovação, cooperação dinâmica e sustentabilidade a longo prazo.O novo Presidente tem pela frente uma tarefa árdua: mobilizar energias e vontades, dinamizar o relacionamento institucional e com a sociedade civil, construir pontes entre as forças políticas de forma a produzir convergências para a realização das reformas que o país não poderá continuar a adiar. E, sobretudo, pensar nos jovens e na criação de condições para que se sintam bem a trabalhar e a constituir família no país. O país constrói-se com todos, mas é com os jovens que se projeta no futuro. Ao Presidente eleito, António José Seguro, desejo as maiores felicidades e sucessos no seu mandato. E, já agora, quero manifestar enquanto Bastonário da Ordem dos Economistas e Presidente do CNOP, toda a abertura e disponibilidade para cooperar com a Presidência, em tudo o que for considerado relevante em benefício do interesse público e do desenvolvimento de Portugal.