Adam Smith, na sua "Teoria dos Sentimentos Morais", expôs a arrogância do "Homem do Sistema": o político que julga poder manipular cidadãos como peças de xadrez, ignorando que cada ser humano possui um "princípio de movimento próprio". Em Portugal, este delírio tornou-se regra. O resultado não é a existência de qualquer rede de proteção eficaz, mas sim um assalto deliberado à autonomia, capaz de transformar uma nação resiliente numa massa infantilizada e vulnerável.A fragilidade explode em tragédia quando a catástrofe bate à porta. Nestes momentos, o que salva vidas é o "movimento próprio" de Smith: é o caso do vizinho que, perante a ausência do Estado, limpa a estrada para que outros passem. Contudo, vivemos sob o jugo de uma opinião pública anestesiada que, instigada por comentadores de sistema, resmunga com desprezo perante qualquer iniciativa privada. O auxílio espontâneo é rotulado como "amadorismo perigoso".Como Thomas Sowell descreveu com precisão, "é difícil imaginar uma forma mais estúpida ou mais perigosa de tomar decisões do que colocá-las nas mãos de pessoas que não pagam qualquer preço por estarem erradas". Quando o Estado falha — e falha sempre, desde o início de cada ano letivo à gestão de todas as épocas de incêndios —, o burocrata é promovido enquanto o cidadão conta as faltas e os seus mortos.Esta infantilização coletivista é um desastre assassino. Ao confiscar a liquidez das famílias através de uma verdadeira pilhagem fiscal, o Governo (habitualmente chamado Estado) desarma o indivíduo. Sem capital para investir em equipamentos de segurança, seguros robustos ou formação, o cidadão é empurrado para o desespero. Quando tenta reparar o telhado ou desimpedir a via sem meios adequados — porque confiou na palavra das autoridades ou porque ficou sem fundos em nome de uma proteção que nunca chega —, acaba vítima de quedas e acidentes fatais. Nesta perspetiva, a asfixia fiscal não é apenas um roubo económico; é um atentado à sobrevivência.Sowell recorda-nos que "a liberdade é o direito das pessoas comuns de tomarem as suas próprias decisões". Ao substituir a prudência individual pela tutela ministerial, o dito Estado cria uma "população implantada", dependente e incapaz. Insistir neste rumo é aceitar a servidão como destino — e um destino de uma fatal infelicidade. A verdadeira resiliência reside na autonomia de cidadãos capitalizados e livres, não na caridade ineficiente de um Leviatã que, quando a tempestade aperta, revela invariavelmente os seus pés de barro e a sua natureza parasita.