O meu primeiro super-herói!

Apropriar, combinar, transformar, subverter. Estas são as palavras mais frequentes no mundo da criação. Quando criamos, precisamos de influências e são essas influências que ajudam as sinapses a funcionar. Que as ajudam a faiscar. A ter ideias! E estas ideias são nada mais nada menos do que uma espécie de remix de criações já existentes.

O que vemos à nossa volta é a soma de estórias contadas, recontadas, adaptadas e subvertidas, que contribuem para o crescimento de determinada história. Que contribuem para o nosso quotidiano. Para aquilo que apelidámos de cultura pop.

Mas esta forma de fazer história não tem nada de errado! Pelo contrário. Veja-se os Piratas das Caraíbas, uma série de filmes que nascem das estórias contadas num parque temático com o mesmo nome. Veja-se o James Bond: são só 25 adaptações de uma primeira ideia. Sextas-feiras 13, também conto uma dúzia delas.

Estamos no tempo das sequelas, dos remakes, das adaptações e dos reboots.

E os desenhos animados da minha infância estão finalmente a ganhar terreno. Falo de He-Man e dos Masters of the Universe! Esta ideia da Mattel que se transformou num êxito televisivo dos anos de 1980 ressurge agora pelas mãos da Netflix. Tudo em He-Man, considerando a época, é um fenómeno, pois nasce do fim para o princípio! Primeiro as personagens em forma de brinquedo e só depois as estórias que alimentariam uma série de animação. Se na época o panorama das action figures era dominado pela Star Wars, a Mattel teve a ousadia de colocar no mercado uma série de super-heróis sem estórias nos comics ou na televisão.

He-Man é também invulgar porque se nos anos de 1980 tínhamos o Dartacão, que nos incutia o companheirismo e a coragem, se tínhamos o Tom Sawyer que nos alimentava a ideia de aventura e amizade pura, He-Man ensinava-nos a controlar o poder de escolher. O poder de decidir. Sem ordens, sem regras.

Uma espada, duas metades, um castelo. Ao contrário dos outros desenhos animados, o poder vinha concentrado num objeto! "I have the power", gritava eu quando via a série na televisão ao sábado de manhã. Tal como o príncipe Adam quando encarnava o personagem de He-Man. E eu, aos saltos no sofá, também encarnava o personagem daquele que foi certamente o meu primeiro super-herói.

Designer e diretor do IADE - Faculdade de Design, Tecnologia e Comunicação da Universidade Europeia

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG