Os resultados das eleições presidenciais vieram confirmar aquilo que já se vinha a desenhar no panorama político nacional: Portugal mudou. A disputa foi das mais renhidas das últimas décadas e levou a decisão final para uma segunda volta, marcada para 8 de fevereiro, entre António José Seguro e André Ventura, deixando o PSD sem candidato e fora da corrida a Belém. Este facto, por si só, representa um marco histórico na política portuguesa.André Ventura afirmou-se, uma vez mais, como o grande protagonista desta transformação. Depois de, nas legislativas de maio, o Chega ter ultrapassado o Partido Socialista em número de deputados e de Ventura se ter assumido como líder da oposição, estas presidenciais consolidam agora um novo patamar político; André Ventura emerge como o líder da direita portuguesa. Os números falam por si. Ficou em primeiro ou segundo lugar em 94% dos concelhos do país, um dado que revela uma implantação territorial transversal e sem precedentes no espaço político que representa.Os resultados de André Ventura disparam eleição após eleição. Um partido fundado há menos de sete anos tornou-se o segundo maior do Parlamento e, agora, apresenta o candidato de direita mais votado nas presidenciais. Este crescimento sustentado não é fruto de um momento, mas de uma leitura clara do país real, das suas inquietações e das suas expectativas.Um dos dados mais simbólicos destas eleições surge na Região Autónoma da Madeira, bastião histórico do PSD, onde André Ventura venceu com 33,4% dos votos. O mesmo fenómeno se verifica no norte, no Algarve, em vários concelhos do Alentejo, nas periferias urbanas e, de forma absolutamente expressiva, na emigração. França, Suíça, Brasil e Estados Unidos deram uma vitória clara a André Ventura, que foi o vencedor indiscutível no estrangeiro, somando quase o dobro dos votos de António José Seguro no cômputo global fora de Portugal.Este mapa eleitoral deixa uma mensagem inequívoca, os portugueses ignoraram as orientações das direções partidárias tradicionais e escolheram, de forma livre, quem consideram representar uma verdadeira alternativa ao socialismo dominante. Como o próprio André Ventura afirmou, o país despertou. Num contexto de fragmentação da direita como nunca se viu, foi ao Chega que os eleitores confiaram a liderança desse espaço político.Ao vencer em cerca de 80 municípios e ao afirmar-se como a principal força não-socialista, André Ventura demonstrou que esta candidatura não foi apenas uma candidatura presidencial, mas um movimento político com impacto profundo. Um movimento que já não se limita a nichos regionais ou eleitorais e que invade territórios onde antes parecia impensável.A passagem à segunda volta é, por isso, mais do que um resultado eleitoral. É a confirmação de uma mudança estrutural na política portuguesa. Independentemente do desfecho final, estas presidenciais já entraram para a história como o momento em que uma nova liderança política se afirmou de forma clara, sustentada e nacional.Portugal enfrenta agora uma escolha decisiva. E fá-lo com a consciência de que nada voltará a ser como antes. Agora o Povo escolherá, sem centrões, entre a esquerda e a direita, entre o tudo igual ou uma mudança. Dia 8 veremos, pois Portugal precisa de verdadeiro abanão! Economista e deputado à Assembleia da República