Muito bem, senhora ministra!

A actuação da ministra da Saúde, Marta Themido, ao longo deste processo da pandemia, tem sido francamente positiva. Até o líder da oposição, Rui Rio, lhe prestou uma homenagem. Questionado por Miguel Sousa Tavares sobre se a ministra deveria ser demitida, Rui Rio respondeu assim: a da Justiça, sim! O que é o reconhecimento de que a acção política de Marta Themido tem sido altamente meritória.

Com nervos de aço, como tem recomendado a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, e sempre pronta a dar a informação correcta aos portugueses, não exibindo sinais de fadiga, Marta Themido assume-se como dos melhores ministros do Governo de António Costa.

Se a pandemia for vencida, como todos esperamos, muito se deverá à senhora ministra da Saúde, que desmente, assim, os que desejariam outro Governo para a melhor combater. Pode ter havido erros, admitidos até pelo primeiro-ministro, mas em matéria de enorme complexidade como esta e desconhecida até agora, o normal seria mesmo errar. Além de que, só não erra quem nada faz. A perfeição é normalmente uma utopia, para mais tratando-se de algo que já causou mais de dois milhões de mortos!

O confinamento parece estar a resultar, pois o número de casos e de mortos está a baixar nitidamente, tendo já passado o pico. É a melhor recompensa para o desempenho de Marta Themido, que nunca iludiu os portugueses, mesmo nos momentos mais difíceis.

Não vejo, em boa verdade, como alguns levianamente afirmam, sinais de saturação nem no primeiro-ministro nem na ministra, o que nos faz acalentar a esperança de que melhores dias se aproximam. O povo está mais cansado do que os nossos governantes, o que é, aliás, natural. As provações por que tem passado explicam, em grande parte, essa fadiga.

Quando critico a falta de classe dos políticos portugueses, tenho sempre o cuidado de afirmar que há excepções. Mal de nós se não as houvesse. Portugal, apesar das dificuldades mais recentes, parece-me já estar a dobrar o Cabo Bojador, se me permitem a imagem, no que à pandemia se refere.

O desconfinamento que se prefigura, dada a evolução positiva dos números que se regista, terá de ser cuidadoso e, a meu ver, gradual e progressivo, para não se entrar num círculo vicioso, semelhante à espiral preços-salários, que se verifica nas economias. Desconfinar para voltar logo depois a confinar não parece ser, de modo algum, solução desejável.

Uma vez vencida a pandemia, Costa tem tempo, pelo menos até 2023, de recuperar Portugal, cuidando do futuro, como é seu desejo. Também aqui - e à semelhança do combate à Covid-19 - não me parece haver melhor que o actual Governo para enfrentar esse desafio.

As soluções mírificas que outros defendem, tais como Governos de unidade ou emergências nacionais, não passam de tentativas de pequenos golpes de Estado, reveladoras da mentalidade golpista dos seus autores.

A receita da direita para vencer a crise seria, muito provavelmente, a da austeridade. Os cortes nos salários e nas pensões, o que Costa sempre evitou, e bem, poderiam voltar. Depois de ter estado doente com a Covid, o povo ficaria sem dinheiro. Mas que triste sina! Seria caso para dizer que o diabo de Passos Coelho aí estava, mas trazido, imagine-se, pelo seu próprio partido! Como diria o povo, fazem o mal e a caramunha.

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