Linhas vermelhas do extremismo

Os congressos dos partidos políticos são sempre momentos de grande frenesim. Logo a começar do ponto de vista mediático, sendo também uma espécie de momento alto para comentadores e fazedores de opinião.

É um terreno fértil para que casos e casinhos ganhem visibilidade e acabem por se tornar naquilo que fica do que se passou nesses dias de encontro partidário. Constatando e não criticando, uma vez que que em política raramente há gestos e atitudes ingénuas.

No Congresso Nacional do PS, que se realizou este fim de semana, foram muitas as intervenções com conteúdo e substância, portanto, muito além dos tais "faitdivers" tão apetecíveis para alguns.

Se há um fio condutor que pode ser delineado de muitas delas, para além do mote autárquico em que o PS quer revalidar a confiança dos eleitores, esse é que deste Congresso resultou uma clarificação muito importante: a dos valores que o PS tem no seu ADN, por oposição a uma deriva lamentável da tradicional oposição de direita.

O caminho de confiança, determinação e desenvolvimento, que nos levam já a números perto do "pré-pandemia", é fruto do trabalho árduo de todas e todos os portugueses. Desses e da governação, que tem sido capaz de mobilizar a sociedade, congregar a sua vontade e a sua energia coletiva. A este respeito veja-se o que nos refere Basílio Horta.

O maior partido político português carrega em si a obrigação de conseguir compreender a vontade da maioria. Assumindo-se como partido plural, democrático e abrangente, tem de ter espaço para todas e para todos. Sendo verdade que sempre teve capacidade para albergar muitas tendências.

O mote escolhido para o Congresso de Portimão foi o "caminho certo". E ficou claro que nesse "caminho" Portugal não é um país de extremos e clivagens, nem onde haja lugar à xenofobia. Mas podia não ser assim, já que muitos tentam diariamente desviar o país e os portugueses para o extremismo.

Voltando à oposição, atualmente, é claro que a direita segue um caminho de desorientação evidente e assustador (que a bem de todos se espera passageira). Essa direção errante e de deriva ideológica pode abrir a porta para o extremismo em Portugal.

Nos Açores, a direita não hesitou em cruzar uma linha vermelha na sequência das eleições regionais. E em Lisboa não afastaria essa possibilidade, caso chegasse ao poder. Essa opção só leva a uma conclusão: o desespero é enorme, logo vale tudo até forçar uma união de facto perigosa.

Esta direita é, por isso, um perigo iminente para a qualidade da nossa democracia. Um perigo real e que deve ser objetivamente apontado e denunciado. Um risco no qual os portugueses não se revêm.

A discordância não nos obriga a extremar posições e caminhos. O extremismo não é e nunca será a solução para nenhum dos problemas que vivemos ou que podemos vir a enfrentar. O "sistema" tem de dar voz a todos para que de forma democrática, plural e eficaz consigamos alcançar o que todos pretendemos: a construção de uma sociedade melhor, mais justa e mais fraterna.

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