Jornadas mundiais da responsabilidade

As Jornadas Mundiais da Juventude, que acontecerão em Lisboa e Loures daqui a menos de um ano, continuam a dar que falar. Já passou algum tempo desde que este tema foi novidade, e dado que a época do ano é quente por natureza, talvez seja útil refrescar a memória.

Trata-se de um evento intenso e marcante ou não estivesse em causa a presença de Sua Santidade, o Papa, e o aglomerar de milhões de pessoas, tudo no decurso de uma semana. Caso não tivesse havido pandemia, as Jornadas Mundiais da Juventude 2022 estariam a decorrer neste momento. O covid-19 trocou as voltas e a realidade de hoje não é a mesma que trouxe o evento para Portugal.

Feito um pequeno enquadramento, esta quase "novela" tem sido assistida, sobretudo, com muita fé. Da "evangélica paciência" à "paciência de Jó", vale a pena analisar o que se tem passado em torno deste - quase - malogrado evento.

A vinda do Papa e a realização das Jornadas Mundiais da Juventude são um acontecimento de extrema importância para Lisboa (enquanto área Metropolitana) e para o país. O Presidente da Republica, a par com os autarcas das duas cidades, têm feito visitas assíduas ao local no sentido de lhe atribuir o peso devido.

Todavia, há diferenças na comunicação e interiorização da relevância deste almejado momento. De Loures sempre se ouviu que os compromissos serão honrados e cumpridos os calendários, já de Lisboa não se pode afirmar o mesmo.

O mandato do atual autarca da capital foi iniciado com a criação de um pelouro especialmente dedicado às Jornadas Mundiais da Juventude. Em abril passado a Vereadora com essa pasta (ainda hoje reconhecida no site da autarquia como tal), Laurinda Alves, afirmava em declarações à comunicação social que as obras decorriam a todo o vapor e que nada falharia.

Depois disso e por estranho que pareça, há menos de um mês, na penúltima sessão da Assembleia Municipal de Lisboa (AML), foi o próprio partido que sustenta o executivo municipal que chumbou a proposta com um orçamento global de 42 milhões de euros.

Tal significou que o PSD na AML foi sensível aos argumentos do PS, que referiu que a proposta de Carlos Moedas pecava por mais uma vez ser enviada tardiamente à Assembleia, não ouvir os restantes autarcas e excluir um conjunto de projetos estruturantes para a cidade. Essa concordância fez com que o PSD se juntasse à abstenção do PS e, com os votos contra do PCP e BE, foi o suficiente para fazer chumbar a proposta do Presidente da Câmara.

Mesmo assim, uma semana depois, Carlos Moedas voltou a levar à AML a proposta em causa, mas com um alerta assustador: estariam em causa as Jornadas Mundiais da Juventude, cuja obra é feita pela SRU e por isso não poderia ser chumbada a proposta.

A verdade é que esse "novo" documento trazia a inclusão de 9 milhões de euros destinados às Jornadas, 7 milhões dos quais para a limpeza dos terrenos onde o evento terá lugar.

Mais uma vez o PS na AML fez questão de não inviabilizar a proposta, mesmo que a CML dispusesse dessa verba e da possibilidade de a alocar através de outras rubricas. Não quis o maior partido da AML que o edil de Lisboa se pudesse vitimizar, acabando a responsabilizar o PS pela não realização deste grande evento.

A abstenção do PS deixou o mortal encarpado à retaguarda, ou seja, a mudança do sentido de voto sem qualquer justificação para o PSD de Carlos Moedas.

Não foi suficiente. Moedas continua a queixar-se que o dinheiro é parco. Leão, em Loures, executa, cumpre, realiza e avança. Moedas, em Lisboa, anda à boleia, chora, faz manobras e jogos de poder internos que prejudicam a cidade. Toda esta displicência acrescida da sua tendência natural em culpabilizar o PS. E como os Socialistas em Lisboa não servem de alibi, avança para o PS nacional e para o Governo.

O Presidente da Câmara de Lisboa junta ainda à sua voz a dos comentadores, que não sofrem contraditório, não são questionados e que tanto jogam que um dia acabam por acertar.

Mais uma vez o PS (leia-se o Governo) põe os interesses do país acima dos interesses políticos. Portanto, obviamente que mantém em marcha as Jornadas Mundiais da Juventude. Alguns anunciam vitória para Moedas, mas na verdade o resultado é uma vitória para Portugal.

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