Num tempo em que a política tende a ser explicada mais pelo que se rejeita do que pelo que se defende, importa começar pelo essencial: apoio João Cotrim de Figueiredo não por exclusão de partes, mas por convicção positiva. Apoio-o sobretudo por quem ele é, pelo seu percurso e pelo perfil que considero adequado ao cargo de Presidente da República.Sempre me identifiquei com uma ética de vida que poderíamos chamar “nórdica”: estudar, trabalhar, ser avaliado pelo mérito no setor privado, construir uma vida sem dependências do Estado, sem favores, sem cunhas. Essa lógica de autonomia pessoal, responsabilidade individual e reconhecimento pelo esforço sempre guiou as minhas escolhas. Conhecendo o percurso do João Cotrim de Figueiredo, reconheço nele exatamente essa mesma matriz.Depois de uma carreira profissional sólida, construída fora da política, decidiu, já numa fase madura da vida, retribuir ao país o que dele recebeu. Fê-lo de forma livre, desempoeirada, sem carreirismos nem amarras partidárias tradicionais, com uma visão orientada para o futuro e para o caminho que Portugal precisa de percorrer. É essa independência, aliada à experiência de vida, que me leva a considerar que é, entre todos os candidatos, aquele que reúne o perfil mais adequado para a magistratura suprema do Estado.Do ponto de vista de um cidadão conservador e de direita, o meu apoio ganha ainda maior consistência. Cotrim passou largos períodos na Bélgica, um país que ilustra bem as consequências de políticas migratórias europeias conduzidas com ligeireza, irresponsabilidade e uma ingenuidade ideológica que hoje se paga caro. Ao contrário de muitos responsáveis políticos portugueses, o João observa estas realidades de perto e não as trata como abstrações académicas.Tem falado com clareza sobre os riscos do extremismo islâmico, sobre a atuação da Irmandade Muçulmana e sobre a necessidade de os Estados europeus serem mais firmes, rigorosos e menos permissivos na defesa dos seus valores fundamentais. Basta olhar para alguns municípios da Bélgica ou do Reino Unido, onde autarcas muçulmanos eleitos tentaram implementar medidas incompatíveis com a cultura e os princípios europeus, para perceber que este debate não é teórico, é real e urgente.João Cotrim de Figueiredo não é conservador no sentido clássico, muito menos nacionalista. Mas é alguém que respeita profundamente a cultura portuguesa, a nossa identidade histórica e civilizacional, e que demonstra um patriotismo sereno, não estridente, mas genuíno. Ama Portugal sem precisar de o proclamar aos gritos.Há ainda uma dimensão pessoal que não posso ignorar. Entrámos na Assembleia da República no mesmo dia e desde o início estabelecemos uma relação fácil e cordial. O João é empático, acessível e bem-humorado - qualidades raras num ambiente tantas vezes marcado pela crispação. Assisti de perto à sua evolução enquanto parlamentar, enquanto orador e enquanto pensador político. Vinha da sociedade civil, sem passado partidário, e a sua adaptação e crescimento foram notáveis.Mas aquilo que mais valorizo, do ponto de vista humano, é que nunca deixou de ser a mesma pessoa. Continuou o mesmo homem afável, com uma palavra simpática ou uma piada pronta para todos, independentemente das divergências políticas.É por tudo isto - pelo percurso, pelas ideias, pela lucidez política e pela dimensão humana - que apoio João Cotrim de Figueiredo para Presidente da República.