No Setembro pré-eleitoral da/na Guiné-Bissau (GB), tivemos a soberba de publicar Um Guia para a Salvação da GB, onde preconizámos o que deveria ser feito, constitucionalmente, para que os bissau-guineenses pudessem virar a página do(s) impasse(s) dos desafios da independência.Primeiramente alertámos para o imperativo de o poder executivo, não poder ser partilhado entre Presidente (PR) e Primeiro-Ministro (PM). Em resumo, defendemos a urgência de uma revisão constitucional, que definisse se a forma de governo é presidencialista, ou semi-presidencialista, para uns passarem a se sobrepor a outros, sem hipótese de invocação de lacunas, interpretações extensivas ou meros caprichos de excepção pessoais.Na verdade, já em Setembro era impossível rever, fosse o que fosse, dentro da lei, na inexistência de Parlamento, suspenso pelo ex-PR Sissoko, para além dos prazos do calendário, que não para, como os relógios.Depois veio “o golpe do Raúl Solnado”, perdão “do 26 de Novembro” e o Conselho Nacional de Transição, decidiu, a 13 de Janeiro, substituir a Constituição em vigor há 30 anos, por outra que, de facto, concentra os poderes numa só figura, no PR.Porquê “Presidencialicista” e não Presidencialista?Porque foi esboçada e aprovada, em ambiente belicista. Porque não foi pensada, discutida e maturada no laboratório estéril do óptimo, da legitimidade constitucional, que envolve freios-e-contra-pesos do Parlamento, Governo e Tribunais. Com golpe em Novembro e nova Constituição em Janeiro, não houve se quer tempo para “curar a carne”, pelo que se trata de “Constituição de atar e nem pôr ao fumeiro”, exclusiva para fruição militar!Há, no entanto, um mal menor a assinalar, no meio de todo este “hobbesiano burlesco”, o facto de a concentração de poderes, permitir a identificação clara do culpado, ao invés da anterior, que permitia sempre “sacudir e distribuir a água por vários capotes”, entre os poderes competentes e em competição.A partir de agora, o PR Interino, General Horta Inta-A Na Man, é responsável por tudo, “e mais um par de botas”, quer corra bem, quer corra mal. E, para já, assinalar que a manutenção da detenção de Domingos Simões Pereira, líder do PAIGC, e demais camaradas também detidos, é prova corrente do sufoco da oposição, o que anula a democracia, e o Presidencialismo enquanto forma de governo, nunca foi incompatível com a democracia, já este “Presidencialicismo made in Guiné-Bissau”, claramente que o é!Bon Courage bradas, que por aqui também há eleições. Politólogo/ArabistaProfessor do Instituto Piaget de Almada O Autor escreve de acordo com a antiga ortografia.