Seguro despediu-se ontem de Lisboa, esta sexta feira (6 de fev.) termina a campanha no Porto. Domingo, é preciso que o país saia para votar e essa é a única equação que as sondagens não conseguem responder.Foi uma viagem enorme a de Seguro. Uma caminhada de 11 anos que começou na noite de 28 de setembro de 2014 quando fez sozinho o caminho de regresso às Caldas, onde Margarida o esperava num abraço sem palavras.Seguro perdeu nesse dia o PS para Costa que, cirúrgico e implacável, o condenou ao ostracismo eterno. Não faço ideia do que sentiu nesse regresso a casa, mas sei que fez, depois, aquilo que os mais próximos não imaginavam. Muitos o interpelaram para que não desaparecesse, mas Seguro nada disse. Fundou um pequeno negócio, começou a dar aulas, foi um pai presente, desapareceu das vistas, deu-se ao esquecimento. Quando com ele falei, há cerca de um ano, confessou-me que não havia marcha atrás, seria mesmo candidato a Presidente da República. Perguntei-lhe se existia nele alguma ponta de ressentimento, respondeu-me que era coisa que nem sequer lhe ocorria, fazia-o pelo país.Estas semanas têm provado que é mesmo uma figura à parte. A larga maioria dos que conheço, onde me incluo, gozaria o momento, a vingança pode servir-se fria e saber-nos pela vida, mas nele o desforço é uma palavra vazia que só atrapalha o essencial.É preciso que o país vote no domingo e que o faça não contra alguém, mas por ele… o homem que há 11 anos, numa viagem solitária e com o peso dos que o tentaram humilhar, jurou que jamais se deixaria contaminar pela desgraça do rancor. Só ele acreditou. Só ele é credor desta vitória.