Estabilidade e pragmatismo

Corria o ano de 2005 quando o gigante europeu apresentou a sua nova "Dama de Ferro". Depois dessa data, Ângela Merkel governou a Alemanha ao longo de 16 anos. Um período durante o qual se testemunharam diferentes formas de governação por parte da ainda Chanceler alemã, que objetivaram, acima de tudo, garantir a estabilidade do Estado Alemão.

Essa solidez governativa visou um contínuo crescimento económico e a consequente melhoria da qualidade de vida dos cidadãos alemães. E independentemente das várias crises que se viveram ao longo dos anos, os alemães reconheceram o esforço e permitiram à Chanceler continuar um percurso de governação que manteve a competitividade do país num mundo em constante transformação.

Ângela Merkel sucedeu ao social democrata Gerhard Schroder, que se manteve no poder 7 anos. Antes de Schroder a Alemanha foi liderada pelo histórico líder conservador Helmut Khol, por um período também de 16 anos.

Ora esta dança de cadeiras entre conservadores e sociais democratas é um sinal claro de pragmatismo e da procura de estabilidade nos sucessivos governos. Não explicando tudo, ajuda muito a perceber a tendência de alternância entre os dois principais partidos.

Domingo passado foi o dia em que o até então Vice-Chanceler Olaf Scholz levou o SPD, os Sociais Democratas e os Verdes congregadores do voto jovem ao poder. Ocupará dessa forma a cadeira da chancelaria, procurando a estabilidade através do característico pragmatismo alemão. O objetivo será o de sempre: permitir continuar a senda do crescimento da maior potência do "velho continente".

O desafio com que Olaf Scholz se vê confrontado não é novo, mas desta feita terá de se coligar numa geringonça com três rodas para conseguir por a máquina alemã em movimento. Acrescento em abono da verdade que se os ventos tivessem soprado para os lados da CDU (os conservadores Alemães), a geringonça teria um dos mesmos parceiros.

Aparentemente, na Alemanha reina a máxima "depressa e bem não há quem". Por esse prisma espera-se que a ligação entre Sociais Democratas, Verdes e Liberais esteja pronta a funcionar por altura do Natal.

Este pragmatismo e estabilidade não são mais do que um garante da paz social e do desenvolvimento económico da Alemanha. No fundo, trata-se de uma espécie de geringonça europeia que ultrapassa as linhas da tradicional esquerda e direita em prol de um bem maior.

Um dia poderemos almejar tal desiderato. Até lá teremos de continuar um caminho progressista em direção à estabilidade e ao desenvolvimento social, que permita a igualdade de oportunidades e o assegurar de direitos essenciais.

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