O futuro do trabalho parece sombrio para muitos. Estudos recentes estimam que 10% dos empregos seriam automatizados neste ano e que 50% o serão na próxima década. Blá-blá-blá... estudos e mais estudos. Talvez se transformem em verdadeiros. Ou talvez não..Fruto dos avanços rápidos, acredito que estaremos daqui por uns tempos, mais próximos que o que se imagina, não a ensinar nas escolas a interação com as várias dimensões da tecnologia, mas sim como aperfeiçoar o que a máquina (ainda) não pode fazer: a capacidade de gerir as emoções e levar em conta os ingredientes essenciais como o pensamento crítico, o bom senso e, acima de tudo, a empatia..A automação é um futuro que está já no presente e as nossas habilidades emocionais nunca foram tão postas à prova. E serão mais ainda. Mas a pergunta que vai para além das nossas capacidades é: que habilidades emocionais terá a máquina? Será fácil dotar a máquina com uma dimensão emocional? Será este o nível seguinte, o da empatia tecnológica?.Os mais entendidos dirão que no futuro o machine learning até isso vai resolver. Com uma ponta de ironia, podemos sempre especular que a ficção científica já o resolveu... no passado! Basta para isso ir ao blockbuster mais próximo e sentarmo-nos comodamente no sofá, meter a cassete e aprender..Veja-se por exemplo o agente K, um replicant que procura a sua essência a partir de memórias que afinal lhe foram implantadas. No entanto, ele faz uma escolha: uma escolha humana. Emocional. Empática. Indo mais longe em Blade Runner, Joi, um holograma gerado por IA desenvolve um desejo ardente pelo replicant K, acabando por se envolver numa cena de sexo com ele e com a única humana do trio, a prostituta Mariette. E este desejo é, diria eu, fruto de uma ardente e desgovernada empatia. Não?.Mas há mais... Arthur, o humanoide que estabelece amizade com Jim Preston, em Passengers, torna-se seu confidente e conselheiro. No limite, até ficaram amigos. E na base da amizade está... querem arriscar?.Nos idos anos de 1980, um ciborgue assassino como o avançado modelo Terminator Model 101 desenvolve sentimentos por John e pela sua mãe Sarah Connor, acabando por salvá-los em vez de os fazer desaparecer, contrariando o que estava programado..Até a melhor dupla da história da ficção científica, R2-D2 e C-3PO, criados na sua totalidade por cablagem e lata, sempre irritados um com o outro, são amigos. Sentem saudades um do outro, e o que está na base desta saudade e desta amizade não é um algoritmo, é empatia. Mas isto... isto são só os filmes a dizer-nos o que pode (e vai) acontecer no futuro..Designer e diretor do IADE - Faculdade de Design, Tecnologia e Comunicação da Universidade Europeia