Crise na Venezuela e tensões pela Gronelândia redesenham prioridades dos mercados

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Esta semana nos mercados ficou marcada pelo rescaldo do ataque à Venezuela e pela crescente tensão em torno da Gronelândia. Na sequência da captura do antigo líder venezuelano por forças norte-americanas durante o fim de semana, Donald Trump afirmou que pretende utilizar parte das reservas de crude da Venezuela para tentar baixar os preços do petróleo nos EUA. Independentemente deste anúncio, os preços do petróleo já estavam a ser pressionados por um excesso de oferta global, e os desenvolvimentos na América Latina não tiveram, até agora, efeitos materiais nos preços do crude. Apesar das declarações políticas e das expectativas de uma possível redistribuição de fluxos de crude venezuelano, a oferta global permanece abundante, o que torna qualquer impacto direto no balanço mundial, por enquanto, marginal.

A intervenção militar na Venezuela reacendeu também um debate mais amplo sobre a política externa dos EUA, nomeadamente sobre a Gronelândia, onde a retórica americana ganhou contornos mais preocupantes ao longo da semana. Vários responsáveis dos EUA fizeram comentários que sugerem o recurso a instrumentos mais assertivos, incluindo a força militar como opção, para afirmar controlo ou influência sobre a ilha, dada a sua importância para a segurança nacional americana. A Gronelândia alberga reservas significativas de recursos naturais críticos e minerais estratégicos, incluindo minerais raros, essenciais para a produção de chips, baterias e sistemas militares avançados. A sua posição no Ártico confere-lhe também um elevado valor geoestratégico, na rota entre a América do Norte e a Europa, reforçando a sua relevância militar e de vigilância. As declarações americanas suscitaram a condenação de autoridades dinamarquesas, que rejeitam pressões que possam violar a soberania do território.

No plano dos mercados, alguns dos principais índices europeus, como o alemão DAX, o britânico FTSE e o espanhol IBEX, atingiram novos máximos, com ganhos mais acentuados no setor da defesa e na tecnologia ligada à segurança e às infraestruturas críticas. Este padrão sugere um atenuamento do apetite pelo risco face ao último trimestre. Embora os mercados acionistas permaneçam, em geral, bem suportados por lucros corporativos resilientes, observa-se uma preferência crescente por setores menos sensíveis ao ciclo económico e mais expostos a temas de segurança e tecnologia.

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