Em despacho de 30 de Janeiro, o reitor da Universidade Nova determinou o que deveria ser óbvio: que “a denominação própria e característica das Instituições de Ensino Superior” deve ser feita de forma “inequívoca em língua portuguesa”, permitindo a designação bilingue das faculdades que o entendam, por exemplo, nas suas comunicações com organizações internacionais, desde que não suprimam a denominação em Português.Não parece uma decisão disparatada ou insensata, muito pelo contrário. Aliás, o que parece estranho é que Instituições de Ensino Superior públicas se tenham começado a apresentar com designações em inglês (branding). Ou, em nome das alegadas vantagens de marketing da “internacionalização”, a direccionarem para o estrangeiro uma parte substancial do recrutamento dos seus alunos e à maioria das aulas, mesmo quando asseguradas por docentes indígenas, serem leccionadas em língua inglesa.Em defesa dessas opções alega-se que, assim, conseguem maiores receitas com as matrículas e que a anglicização é um factor importante para a presença dessas instituições em posições de destaque em rankings internacionais. Em particular as faculdades (Schools) de Gestão (Business) e Economia (Economics) parecem cativadas por essa tendência e nota-se em muitos dos seus docentes um especial orgulho em fazerem parte de instituições que se esforçam por apagar a sua ligação a (menos a geográfica, porque o sol, as praias e a comida são trademarks de) Portugal.A este respeito, para não me alongar no sarcasmo quanto à predominância da imagem em relação à substância, diria que o prestígio de uma instituição não depende da sua designação em língua estrangeira, por universal que seja. As alemãs TUM (Technische Universität München) ou LMU (Ludwig-Maximilians-Universität München) não precisaram de se anglicizar para manterem a sua reputação. A Sorbonne será sempre conhecida como tal. A École Polytechnique de Paris está no topo sem negar a sua origem. A ETH Zürich (Eidgenössische Technische Hochschule Zürich) está em 7.º lugar no QS World University Rankings 2026 sem necessitar de mais do que ter a funcionalidade, agora quase automática, de apresentar as suas informações em diferentes línguas no seu site. As restantes Universidades do Top-10 têm designações em inglês porque estão em países onde essa é a língua oficial (ou uma das oficiais, como em Singapura).Além disso, no caso de instituições da rede pública, seria de pensar que as suas prioridades se direccionariam para os alunos nacionais e para o desenvolvimento do país, através da formação de capital humano altamente qualificado. Só que, em particular na área de business and economics, está bem à vista que a sua maior especialidade é na formação de comentadores mediáticos ou de autores de estudos de impacto muito discutível no desenvolvimento do “tecido empresarial”, se exceptuarmos fugazes unicórnios. Professor do Ensino Básico.Escreve sem aplicação do novo Acordo Ortográfico