Atrair e conservar as pessoas mais qualificadas a trabalhar na União Europeia é hoje uma condição indispensável para que os desafios da inovação, que temos pela frente, possam ser enfrentados com sucesso..Contudo, no mundo em que vivemos, o mercado de emprego a esse nível é global. Do lado da oferta e da procura, há mecanismos para localizar e aliciar os melhores. Um jovem gestor ou engenheiro português compara oportunidades que vão da Nova Zelândia a Lisboa, passando por muitos outros países do mundo como Singapura, os EUA ou os Emirados Árabes Unidos. Escolhe sem medo e sem constrangimentos a melhor oferta que lhe for apresentada. A melhor oferta não tem de ser necessariamente a que corresponde ao maior salário. Cada vez mais outras condições são colocadas na balança, desde o clima, os serviços de saúde, o lazer e naturalmente a segurança..Reter aqueles que formamos na União Europeia ou em Portugal tem de ser obviamente uma prioridade. Mas não tenhamos ilusões, vamos precisar de atrair pessoas qualificadas de outras partes do mundo..Exatamente com esse objetivo foi adotada a Diretiva Cartão Azul na União Europeia em 2009, estabelecendo as condições de entrada e de residência para trabalhadores altamente qualificados de países terceiros e criando um canal seguro de entrada na União. É inspirada no Green Card americano..Contudo, os resultados não foram satisfatórios e o número de beneficiários reduzido. As razões foram as que todos somos capazes de imaginar: um processo excessivamente burocrático, que mais parecia procurar um efeito dissuasor do que o seu contrário..Por isso foi aprovada no Parlamento Europeu uma revisão da diretiva, impulsionada pela presidência portuguesa da UE. Visa, entre outros aspetos, facilitar os processos administrativos, alargar os setores que podem beneficiar deste regime, como as tecnologias de informação, reduzir o tempo do contrato de um ano para seis meses, estender aos refugiados e facilitar a mobilidade entre os Estados..No entanto, se quisermos melhorar os resultados não podemos ficar por aqui. Se precisamos mesmo, como está demonstrado, de atrair pessoas qualificadas (e não só essas, mas isso é outro assunto), temos de ter uma política proativa para esse efeito, facilitar o reconhecimento dos diplomas e outras competências formais adquiridas em países terceiros, ir recrutá-los às universidades que os formam, cuidar que tenham acesso simples aos serviços de educação, saúde e segurança social..Quantos jovens da América Latina não estariam disponíveis para uma experiência europeia se não fossem tantas as barreiras que têm de enfrentar?.Sabemos todos que mesmo dentro da União não é fácil a livre circulação de serviços por causa do reconhecimento das qualificações profissionais e da proteção que cada ordem profissional faz do seu mercado nacional. Se mantivermos esta cultura de enorme desconfiança, que a maioria das vezes é apenas uma forma de protecionismo, não haverá revisão da diretiva que nos salve..Eurodeputada