Iniciou-se no sábado o Will for Peace Exercise 2026, na África do Sul, exercício naval exclusivo para a “frota BRICS” (Brasil, Rússia, Índia, China, África do Sul - membros fundadores - e agora também Arábia Saudita, Egito, Emirados Árabes Unidos, Etiópia, Indonésia e Irão). A China e o Irão, enviaram Destroyers, a Rússia e os Emirados, corvetas, e a África do Sul uma fragata de tamanho médio. Brasil, Egipto, Indonésia e Etiópia, participam enquanto observadores.O que é que mudou desde o 1.º de Janeiro?A “era”, o paradigma! Com o sequestro de Maduro pelos Estados Unidos (EUA), mudou-se da ameaça para o dado adquirido e, na sequência disso, na mesma semana, entrámos na “Era da Barganha”, com manifestações de voluntarismos em prol da troca do prémio mais pessoal e intransmissível de todos, como se de um passaporte se tratasse, pelo realismo mágico de uma Presidência do “agora é que vai”! Tudo mudou, portanto, e as réplicas aí estão na sua plenitude e sentiram-se, inclusivamente, onde o Índico não se mistura com o Atlântico. A Índia, optou por não se apresentar, no exercício deste fim-de-semana, já que compra petróleo à Rússia e quer agora agradar ao imprevisível Trump.Outra mudança a assinalar nos BRICS, fruto deste momento Trump, é o facto de uma organização eminentemente económica (comércio, finança, banca, desenvolvimento), foi esse o propósito da sua criação, se estar a transformar também, num espaço de cooperação militar. Porquê?Porque o “YouTuber Trump”, chegou com a “sua verdade”, inconstante e imprevisível, e os outros, que não são parvos, organizam-se de forma preventiva, não apareça uma “Olivença qualquer” lá para as Molucas! Nesse sentido, passaram a acrescentar esta “fatia militar”, no orçamento ordinário e tudo passa a geopolítica. O que Trump não imagina, é que do outro lado também há liberdade e legitimidade, para se dizer, “fica para nós, para não ficar para os americanos”. Aqui está o perigo da “minha verdade”, outro elemento importante na “Era da Barganha”!Porque se sabe que o que está por vir será ainda pior, com um aumento orçamental de 50% “para a tropa americana”, em 2026, no sentido do Dream Military, parece normal que estrategas do outro hemisfério vejam nesta prioridade, a camada “vontade”, necessária para a III Guerra Mundial.Não veremos mais sequestros ao estilo Maduro, mas em África, haverá muito ataque “toca-e-foge”, para quem quiser trocar minerais por “fogo-de-artifício” e consolidar o poder.Desejo sorte a todos/as e longa vida aos distópicos, para perceberem que nada valem, perante uma boa utopia e no fim, morremos todos! Politólogo/arabistawww.maghreb-machrek.ptEscreve de acordo com a antiga ortografia