Apoiar Trump é ser antipatriota

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Acabo de ouvir o discurso de Trump em Davos. Entre autoelogios pueris, mentiras descaradas e outras diatribes, Trump tornou a ameaçar a Europa, não só economicamente (com a chantagem das tarifas), mas também militarmente (apesar de afastar o uso da força, relembrou várias vezes o poderio militar norte-americano caso os dinamarqueses não aceitem negociar a Gronelândia). Este discurso delirante é mais uma prova de que o homem que hoje preside aos EUA é um autocrata impreparado, narcisista, megalómano, mitómano e paranoico. Uma ameaça real para a paz na Europa e no Mundo.

É por isso que, 80 anos depois do fim da II Guerra Mundial, forças militares europeias são outra vez chamadas a defender território europeu de um potencial ataque externo. E a ameaça vem dos EUA. A França e a Alemanha anunciaram que se vão juntar à Suécia e à Noruega numa missão militar europeia na Gronelândia.

Também em Davos, Macron alertou para “as ambições imperiais que regressam” e para a “transição para um mundo sem regras, onde o direito internacional é ignorado e o único princípio que parece importante é o do mais poderoso” e Ursula Von der Leyen afirmou que “a soberania e a integridade territorial da Gronelândia e da Dinamarca são inegociáveis”.

Mas a Europa dá, infelizmente, sinais contraditórios porque, ao mesmo tempo, o Parlamento Europeu paralisou, por uma votação de 334 votos a favor, 324 votos contra e 11 abstenções, o acordo da UE com o Mercosul, deliberando o envio do acordo para parecer do Tribunal de Justiça da União Europeia. Num quadro internacional em que a Europa precisa de diversificar as suas parcerias económicas e comerciais, reduzindo a dependência dos EUA e dando um importante sinal de cooperação com outros países, esta decisão é um erro colossal.

Perante esta conjuntura, afirmo sem hesitações que um europeu que hoje defenda a política de Trump é antipatriota porque apoia um autocrata que esta na iminência de arrastar a Europa ou para um conflito militar ou para a capitulação perante os EUA.

Ora, na segunda volta das eleições presidenciais está um candidato que defende Trump. Também por isso, a decisão no próximo dia 8 de fevereiro é simples: é a opção entre a Democracia e o autoritarismo, entre a liberdade e a opressão, entre o respeito pelos direitos dos cidadãos e a arbitrariedade, entre o humanismo e o populismo, entre a igualdade e a misoginia e a xenofobia, entre o Estado de Direito (nacional e internacional) e a lei do mais forte. Queremos um admirador de Trump à frente dos destinos de Portugal?

Podemos ser sociais-democratas ou liberais, mais progressistas ou mais conservadores. Todas estas opções são legítimas em Democracia. Mas não é isso que está em causa no dia 8 de fevereiro. O que está em perigo é mesmo a Democracia.

Perante isto, a equidistância do primeiro-ministro por puro (e mal calculado) taticismo é um grave erro histórico, que estou certa não será seguido pela maioria dos eleitores da própria AD.

Vereadora na Câmara Municipal de Lisboa eleita pelo PS

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